| Fata Morgana...
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...ou o Claro Obscuro |
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Avalon, 04 Novembro, 2003
Estive a hesitar. Tenho adiado a própria vontade de trazer aqui o meu auto-retrato poético. Claro que poético! Mas mesmo assim, acabo sempre por escolher outro poema, escrever um novo... ou ainda por me atirar a toda a brida pelo surrealismo dentro, e passo verdadeiros momentos numa outra dimensão a ler a maravilhosa literatura deles, mais a dos percursores e a dos proscritos pelo grupo, para escolher alguns desses textos e poemas que me fascinaram sempre e traze-los para aqui.
Pois hoje fica cá o auto-retrato. Meu. Poético, claro. E fica já, antes que volte a hesitar, pois gosto dele, quero-o aqui. E sempre me senti, é verdade, um novelo. Mulher-novelo enrolada joelho suave de vertente húmida. Compasso atrasado. O cheiro repentino no tapete de cabelos desenrolado estendido Quietude de sono. Imagens informes, sonoras Movimentos de descontraída preguiça criativa. Criatura de ovos doces redonda Com um único vértice no olho. O outro olho tem a mobilidade vagarosa de um biombo. O sorriso é um mastro e o motivo a meia haste. Desalinhados padrões de sugestão dispersa. Fata Morgana |
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