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Avalon, 30 Dezembro, 2003
Já falta pouco para entrarmos todos no Novo Ano de 2004.
Quero desejar aos meus amigos, aos meus visitantes, os habituais, os esporádicos e também os casuais e acidentais, enfim... a todos os que lerem esta mensagem - um FELIZ ANO BOM!! Que 2004 traga muita Felicidade para todos, com a realização dos Vossos sonhos mais queridos e também muitas surpresas boas! Thita, Titas, Cin50, Quim, Molin, Gotinha, Eduardo, Papoila, Duende, G., Marta, Naza, Cat S, Selenographicus, Vítor, Gustavo, Alexandre Monteiro, Krip, DinahW., Hugo Real, Rute, Nilson, Maria, Pli, Mario Ruoppolo, Hotlulu, M., Linda Pinto, Leon, Wild Berry, Katz, Velho da Montanha, Vanessa, Valentina, Pai Natal, O Engenheiro, Figment, MS, Maré, Aguaceiro e João... ... AQUI está o que vos quero desejar, do coração, com um grande sorriso amigo! Fata Morgana Avalon, 29 Dezembro, 2003
Inclino-me numa postura
flectida Os cabelos, ainda agora presos, soltam-se de um modo natural cobrem-me a curva da coluna vertebral Depois escorregadios tombam varrem a areia de onde extraio um seixo. Vejo-o estendo o braço e deixo os dedos segurarem também nos cabelos soltos e puxa-los como dói! assim revoltos. Ao voltar à posição direita sigo caminho, aquele mais bonito, mal o pisando a vereda estreita. Fata Morgana
A Descida ao Topo
De vez em quando, em pleno sono, vem-me aquela impressão estranhíssima de saber, de conhecer, de ser muito mais profunda do que saliente. MUITO MAIS PROFUNDA DO QUE SALIENTE. Tenho, então uma estranha noção de mim. Como se tivesse raízes. E depois como se fosse um buraco imenso. Escalo essa sensação única em que me transformo toda, de buraco, mas escalo-a precisamente ao contrário, de uma forma que todas as lendas - erradamente - dizem que é maldita e amaldiçoada: escalo-a a descer. Quero ir ao fundo. E é quando começo a suspeitar de que não existe um fundo que as minhas forças esmorecem, até à exaustão. A luz de uma outra dimensão acende-se nessa altura. É diferente, em absoluto, de toda e qualquer noção ou definição da luz que todos conhecemos. É uma coisa que não tem explicação porque não está condicionada por nenhuma palavra. Os sons que me chegam ao longo da descida - agora transformada em queda -, são, também eles, registos desconhecidos, de frequências várias, todas próximas do mágico e do impossível e do improvável. A luz volta a chamar a minha atenção, mostrando-me cores novas... Não há comparação entre o arco-íris e aquele indefinível arco-o-quê. Nunca cheguei ao fim da queda. Não sei se há fim. Há sempre uma força que me segura, e suga, e traz de volta, sem palavras para compreender, cheia de gestos que não tenho quem entenda - as palavras possíveis para contar como são aquela luz e aqueles sons. Quando acaba esta experiência que eu chamo de sonho ou pesadelo, conforme calha à minha língua entorpecida, sinto, intimamente, que estive num limiar. Fata Morgana Avalon, 26 Dezembro, 2003
DUH!?... exclama-se hoje, a torto e a direito. Podia ser uma palavra inventada cheia de conteúdos. Não é. Parece apenas querer dizer que alguém é lento, que ainda não percebeu coisas importantíssimas que o "duhísta" já está cansado de saber, pois ele sabe tudo, não lhe resta o espanto de mais nenhuma descoberta. Duh!? traduz o último espanto que restou ao duhísta, que é mais ou menos o ter descoberto que o "tosco" com quem está a falar não sabe uma qualquer insignificância. É uma palavra vazia, afinal, aplicada para chatear ou para rir sem ter de quê (se o "tosco" também for duhísta riem-se os dois). Não tenho nada contra... tirando o som feioso da expressão e, principalmente - dada a frequência com que é usada! -, a ausência de uma postura qualquer inspiradora, que mereça ser conhecida como Duhísta.
Hoje, ao ler o Today in Literature, vi que Tristan Tzara morreu no dia 25 de Dezembro de 1963... DADA! Foi a primeira coisa que me apeteceu logo dizer. E depois lembrei-me do lamentável "Duh!?" Li algumas coisas de e sobre Tzara e o Dadaísmo, revivi a fase em que tentei ser uma deles - apesar de muito fora do tempo! Fiquei a pensar como Dadaístas e Surrealistas defendiam causas de anti-arte (de um modo bem artístico, às vezes!). Movimentos que queriam despojar a obra de arte de toda e qualquer postura artística, de toda e qualquer vontade de "criar". A verdadeira arte era cuspir umas palavras, umas linhas numa tela, parir uma forma estranha e chamar-lhe escultura mas sem qualquer desejo de que saísse um portento, ou sequer bonitinha! Era uma anti-postura. Não vazia de conteúdo. Depois dei com uma citação do Tristan Tzara (que aqui deixo) e ainda fiquei a detestar mais o "Duh!?"... que nem sequer é cheio de anti-conteúdos. "Le plus acceptable des systèmes est celui de n'en avoir par principe aucun." Tristan Tzara (Extrait de Manifeste Dada - 1918) Hoje não estou poética. Mas deixo cá poesia: Primeiro Poema Português Dada (1917) por Fernando Pessoa SAUDADE DADA Em horas inda louras, lindas Clorindas e Belindas, brandas, Brincam no tempo das berlindas, As vindas vendo das varandas. De onde ouvem vir a rir as vindas Fitam a fio as frias bandas. Mas em torno á tarde se entorna A atordoar o ar que arde Que a eterna tarde já não torna! E em tom de atoarda todo o alarde Do adornado ardor transtorna No ar de torpôr da tarda tarde. E há nevoentos desencantos Dos encantos dos pensamentos Nos santos lentos dos recantos Dos bentos cantos dos conventos... Prantos de intentos, lentos, tantos Que encantam os attentos ventos. in Portugal Futurista, nº 1. Lisboa: 1917. Contexto ed. 1981 Fata Morgana Avalon, 22 Dezembro, 2003
Aos meus amigos; aos meus visitantes habituais - os que escrevem e os que não escrevem -; aos que cá vêm só de vez em quando; a todos aqueles que possam espreitar pela primeira vez durante esta quadra, desejo sinceramente um Natal cheio de Alegria, Paz e Amor...
Thita, Titas, Quim, Molin, Gotinha, Eduardo, Duende, G., Marta, Naza, Cat S, Selenographicus, Víctor, DinahW., Hugo Real, Rute, Nilson, Pli, Mario Ruoppolo, Hotlulu, Linda Pinto, Leon, Wild Berry, Katz, Velho da Montanha, Vanessa, Valentina, Pai Natal, Maré, Aguaceiro e João... ... um FELIZ NATAL para todos! Fata Morgana Avalon, 19 Dezembro, 2003
As maçãs Granny Smith voltam mais logo, quando o mensageiro que as traz habitualmente der com o caminho! Vão mordiscando as Starking...!
Fata Morgana
Vistas da Terra
Depois de olhar para isto, não houve texto nem poema que eu achasse melhor para aqui deixar, hoje. Apesar da aparência simples da página, a mesma dá-nos acesso a uma miríade de imagens espectaculares da Terra, vista de vários satélites, da lua, do sol. Estas imagens podem ser vistas em formato grande - muito aconselhável! - se escolherem tamanhos na ordem dos 1000 pixeis. Não se esqueçam de fazer "update" depois de seleccionar as opções e... experimentem, vale mesmo a pena. Fata Morgana Já agora... outros links relacionados, também fantásticos, são este e este! Avalon, 17 Dezembro, 2003
Como Velas
Dei com colmeias de doçuras novas toquei-lhes com o cansaço imerecido dos meus dedos Apaguei todas as ideias fixas como se fossem velas quase gastas Dei com o riso inocente e ri também com gestuais prazeres como se fossem velas a hastear Vejo-me leve a mente antes exausta agora pronta a acreditar Fata Morgana Avalon, 15 Dezembro, 2003
Um Sonho
Areia nos cabelos vegetação no olhar sedento Ilegíveis páginas de sono todas soltas O fogo é uma luz da imaginação Lanço-me em frontal queda de bruços E o lago recebe-me fresco Fata Morgana
RealMente
Se uso a lente da atenção torno-me lógica esqueço a emoção. É como num jogo de mesa chega a parecer irreal assim estirada a verdade num tabuleiro. Fata Morgana
Senda
Sigo o rasto complicado dos meus próprios passos Dou-me voltas de avanço mentais sem parar. Tenho de continuar Errando entre o longe e o perto Não quero é ficar num deserto sabendo que existe o mar Tenho de continuar Fata Morgana
Avalon, 13 Dezembro, 2003
Meus caros amigos,
Afinal as macieiras de Avalon continuam carregadas de enormes frutos perfumados, de várias espécies! Para não perder nenhuns... agora tenho dois cestos: um para as maçãs Starking - que é novo; e o do costume, já do tempo da criação do Claro Obscuro, para as maçãs Granny Smith. Claro que cada um escreve onde preferir, eu leio com todo o gosto, como sempre. Avalon é um lugar onde o silêncio se enche de sons, desde o brotar das nascentes de água deliciosa, que corre sobre pedras de formas irregulares, ao leve roçar da brisa gentil nos ramos dos salgueiros, ecoando como harpas mágicas, ao longe... É bom sentir os sons do silêncio em Avalon, enquanto leio as vossas missivas. Fata Morgana
Ao passar o umbral, do corredor para o aposento onde entrei, sem objectivo, dei alguns passos em frente e vi-a. Estava ali uma mulher, mesmo à minha frente. Ocorreu-me apanhar um grande susto mas não, apenas fiquei muitíssimo surpreendida.
Olhei-a silenciosamente, sem nenhumas cerimónias, e percebi que ela não me era nada estranha. Contudo, não estava a lembrar-me onde a encontrara antes. Apreciei o ar resoluto com que me devolvia a prolongada inspecção. Mediamo-nos mutuamente. Mas aquilo não se podia eternizar... Esbocei um pequeno sorriso contrafeito e ela também. - Quem és tu? De onde te conheço? - De todos os lugares, ora essa! Ora essa!?... Não deveria ser eu a fazer esse género de exclamações? Ergui as sobrancelhas num misto de desagrado e curiosidade. Ela também ergueu as suas mas tinha uma expressão insondavel. Ocorreu-me que talvez ela também não soubesse interpretar os meus sinais e me achasse igualmente misteriosa. Contudo, sentia que não era assim, coisa desagradavel que imediatamente decidi ignorar. Uma zombaria exactamente igual à que eu queria aparentar, emanava da mulher, que não me desfitava. Parecia estar a perder a paciencia e eu também estava, por isso voltei à carga: - Julgas que me conheces? - Não. És tu quem julga que me conhece a mim. Era verdade. De facto parecera-me imediatamente que a conhecia. Agora sentia-me plantada naquele ponto a que tantas vezes chego, entre uma coisa e outra muito diferente, entre o sentir e o pensar. Baixei os olhos. Nunca aguento a energia imensa desse estado puro de apenas ser, ainda que não chegue mesmo lá. Entregar-me a ele... oh, seria como atirar para longe a minha barra de equilíbrio. Bem gostava de o fazer mas acabo sempre por me agarrar firmemente às ideias firmes. Ora esta! Que estranha, tão estranha mania que eu tenho - sempre tive! - de divagar em frente ao espelho! Encolhi os ombros, dei meia volta e o resto do dia acolheu-me, solícito. Fata Morgana Dedicado ao Rui. Avalon, 12 Dezembro, 2003
Meus caros amigos, cavaleiros e demais visitantes:
Espero não ter perdido os comentários que têm sido deixados no Claro Obscuro! Mas não consigo entrar aqui, a menos que os desactive. Avariaram! Vou fazer o seguinte: 1. Retira-los (lágrimas, muitas lágrimas!) temporariamente, espero. 2. Descobrir outro sistema, porque nem quero pensar em ficar aqui a escrever a giz na parede azul escura, completamente sozinha... e... 3. ... colocar outras ''maçãs''. Talvez Golden... Talvez Granny Smith, ou Starking... Afinal o problema nunca estará na escolha, Avalon é "A Ilha das Maçãs"! 4. Ficar com os dois sistemas de comentários (as duas espécies de maçãs!) - claro que se tudo voltar ao normal vou querer os antigos... mas como já terei os "novos", e também não hei-de querer perdê-los, fico mesmo com as duas qualidades e pronto! Quero que saibam que só vi duas maçãs deixadas junto do meu poema "Les Mots Dits": uma do João, outra da Maré. Talvez tenham chegado mais... não sei. João, tu sabes bem como os meus olhos falam. E percebeste-me perfeitamente, claro. Obrigada por gostares sempre de conversar comigo, às vezes em silêncio - ah pois, também leio muito bem no teu olhar! Maré, (rindo...) não digas que sou malandra por ter escrito uma verdade - ainda que poética, é uma verdade - pois mordo sempre nas palavras mentirosas que me saem pela boca, por uma ou outra (boa) razão! Aos hipotéticos restantes comentadores... OBRIGADA! Eu adoro maçãs! E farei tudo para não perder as que já aqui tinha! Fata Morgana Avalon, 10 Dezembro, 2003
Les Mots Dits
Dou-te no olhar tudo o que sinto E tu não sabes ler o meu olhar Tu crês é no que digo e eu só minto Não ponho a minha alma no falar Fata Morgana Avalon, 08 Dezembro, 2003
Sempre gostei de escrever. Em pequena tive muitos diários - daqueles com fechadura! - e também usei cadernos, folhas soltas, papelinhos, que à falta de melhor, serviram para registar toda a espécie de coisas que me vinham à cabeça e eu achava importantíssimo não esquecer (!)
Às vezes a minha mãe ia para o escritório trabalhar ao Sábado à tarde, ''para não deixar acumular coisas e ter uma segunda-feira calma'' - dizia ela. Era raro, mas acontecia. E quando acontecia, ela levava-nos, ao meu irmão e a mim. Apesar de adorar subir pelas prateleiras do armazém acima - um perigo!... mas a minha mãe não via, pois eu não era barulhenta quando fazia disparates e o meu irmão foi sempre um excelente cúmplice - eu acabava sentada a escrever à máquina. A minha mãe guardou a papelada toda que eu produzi, coitada! Um dia destes, estive em casa dela a mexer em recordações... e fartei-me de rir com a minha literatura de escritório! Pensei logo escolher um texto e publicá-lo aqui. Então, cá fica, dedicado à WB dos WildThoughts, pois a sua ''Homenagem à Minha Mãe'' é que me fez lembrar outra vez as folhinhas antigas que aqui tinha e pertencem à minha mãe, claro! ''A mãe é muito gira. Tem os cabelos pretos, os olhos verdes... enfim,, é´muito gira. O meu irmão, é tambem muito giro. Tem os olhos azuis, o cabelo loiro, e é muito esperto. EU não acho proprio falar de mim. Prefiro ficar calada. Vou falar Chinês. Easrof fneasjfn fdiea f ieafnr gur fçite fnr ua vnasi vfvis adnf fbide Fiea via gboranu ffisutesav'' (respeitei os acentos, a falta deles, os espaços, a pontuação, o ''chinês'', e... as maiúsculas - pois...) Fata Morgana Avalon, 05 Dezembro, 2003
Coisas que Pensam!
Um dos projectos mais revolucionários de que o MIT Media Laboratory se ocupa envolve a criação e desenvolvimento de objectos que pensam. Basta dedicar meia hora de leitura ao assunto e logo percebemos que, mais cedo ou mais tarde, todos os monos à nossa volta hão-de ser inteligentes! O grande mentor da ideia é o físico Neil Gershenfeld. O rapaz - sim, ele é bastante novo - é um vivaço! Consegue manter, em simultâneo, três conversas sobre assuntos complicadíssimos, enquanto desempenha várias tarefas, igualmente intrincadas e sem relação com as conversas, tudo ao mesmo tempo. Mesmo assim, está sempre cheio de pressa e vive num constante estado de quase exaltação. É alto, magro, de cabelo castanho claro levemente encaracolado e olhos... olhos... Pois, isto não vem ao caso, mas é que não pude deixar de pensar que é este o rapaz encantador que não tem tempo nem vontade de, por exemplo, ir ao cinema - podia ficar sentado ao nosso lado!... - ou a uma festa - onde tocasse, sem querer, com a taça de champagne nas nossas arrepiadas costas!... Nenhuma chance disso acontecer. Lindo e inteligentíssimo, este anti-galã está sempre trancafiado no MIT a desenvolver Things That Think. Confesso que preferia que ele fosse um bocado feioso. Mas mesmo assim, parece-me que só teremos que lhe agradecer e cada vez mais. Senão... pensem comigo: Claro que todos desejávamos muito possuir a mesa-inteligente que ele fez nascer e acabou por encontrar utilidade comercial como ecrã de PC, dispensando o tacanho rato, pois a esperta da ''mesecrã'' sente os nossos gestos! Agora basta esbracejar, gesticular e apontar, enfim já todos devem ter visto na Worten como fazem aquelas pessoas que a princípio julgámos que eram malucas, mas não, não eram, estavam apenas a experimentar jogos nesses ecrãs (ex-mesas-inteligentes!) sem os quais já mal podíamos viver! Também os Wearable Computers nos estão a fazer uma falta dos diabos! E aqui o problema da demora parece residir nos preços, absolutamente proibitivos, mesmo para o consumidor muito abastado! Refiro-me, entre outras pequenas maravilhas, aos óculos-cibernéticos, que nos permitirão ver os iaques juntamente com aquele nosso amigo que está em férias no Nepal, mas com a vantagem (sobre o amigo que lá está a passear, quase no Everest) de que não sentimos o odor dos bichos! Não é um sonho?! Podemos sugerir simpaticamente ao nosso maior amigo que viaje para lugares exóticos e desagradáveis - perigosos até! - daqueles onde revistam minuciosamente as pessoas e obrigam a tomar vacinas e ainda assim, cheiram mal. E vamos nós para lugares civilizados e cosmopolitas! Tendo - nós e o amigo - cada um o seu par de óculos... trocam-se experiências, pois estes dispositivos inteligentes com a potencia de supercomputadores, são facílimos de manusear, muito melhores que telemóveis, pois alimentam-se da nossa energia, nunca ficam sem carga! Assim, o amigo vê a montra do Armani e nós o Sherpa incompreensível, e desdentado! Confesso, porém, que nada me encanta mais do que os sapatos-inteligentes! Aqui Gershenfield excedeu-se verdadeiramente, animando o espaço enorme e tão tristemente inútil que representam os tacões, enchendo-os de inteligência que se recarrega a cada passada. Este brilhante par-de-sapatos do futuro (próximo!) permitirá nada menos do que trocar grandes ficheiros informáticos com qualquer pessoa, até no meio da rua, bastando um breve aperto de mãos: a pele é salgada e por isso conduz ainda mais facilmente a electricidade, fazendo passar para a mão da outra pessoa e depois para os sapatos desta, tudo o que nos apetecer! Poderemos uploadar um guião inteiro para os sapatos do Manoel de Oliveira! Estará definitivamente ultrapassada a desagradável conversa introdutória, seguida da entrega inestética de um grande calhamaço que o faria... certamente... franzir... vagarosamente... as sobrancelhas! A única coisa que me deixa desolada nos sapatos inteligentes é o formato dos tacões - tão cedo não poderão ser agulha! E também ter que passar a dizer ''calço Olivetti'' em vez de Lacroix! Fata Morgana Avalon, 02 Dezembro, 2003
Os Dias Brancos
Não gosto de dias brandos Quando chegam ao fim não durmo No irremediável estado de sem sono invento acordada uma insónia imaginada Reviro-me remexo-me revolvo os lençóis como se fossem nuvens Sentindo-me repleta de visões Findo este estado de saturação acordo. Concordo Não dormi. Fata Morgana
As Flores Mortas
Assim sou eu, se te não quero Flor que ao colheres se mata antes que tu lhe toques Fizeste-a tua sem jamais a teres. Fata Morgana |
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