Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
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Avalon, 05 Janeiro, 2004

 

 
Um dos Últimos Paraísos da Terra

Eu tenciono ir para o Alaska. Um dia. Quero morar numa casa pequena e acolhedora, de madeira, ter uma matilha de cães para puxar o trenó - o dogsled é um desporto, mas também um transporte habitual por lá. Os cães adoram fazer isso e eu adoro os cães.
Apesar de estar mais que habituada - viciada! - em tacões agulha, e gostar de revelar a silhueta - nada de camisolões, por enquanto -, lá, hei-de usar umas grandes botifarras vestir peças quentinhas e lanzudas, sob um casaco de esquimó, com um carapuço enorme!
Nunca matei um bicho para comer - compro tudo no supermercado. Se tivesse que matar os bichos que como, seria vegetariana. Mas no Alaska a vida é dura, selvagem, mesmo!, e eu vou ter que aprender a pescar. Depois poderei juntar aos víveres que hei-de ir comprar, de trenó, ao lugarejo mais próximo da minha cabana de madeira, uns magníficos salmões e escamudos pescados por mim. Também terei que ter uma espingarda, não para caçar - isso sei que nunca conseguiria fazer - mas para dar tiros para o ar e assustar os ursos que decidirem rondar-me a porta (cá, só tenho que espantar vendedores de sistemas de telecomunicações, mas sem espingarda!).
Em vez de carro terei um avião, um DHC2-De Havilland Beaver, Wheel-Sky (com rodas e skys - para aterrar na neve e no gelo). É mesmo preciso, para percorrer distâncias grandes e transportar turistas pasmados (my job, pois!) aos lugares mais conhecidos, como as nascentes de água quente de Fairbanks, a cidade de Anchorage - a mais sofisticada do Alaska, as ilhas Kodiak, ou as Diomedes, de onde se vê a Rússia!
De um certo modo eu já lá estou! Ou, melhor dizendo, já lá aconteço. É que nas enormes extensões de neve verifica-se algumas vezes o fenómeno conhecido como Fata Morgana: uma miragem, em forma de castelo, e que se chama assim em honra da própria Morgana, pois diz a lenda que é ela que faz aparecer o seu Castelo ?Le Vals Sans Retour? para atrair os incautos.

Não sei se devia estar a descrever esta vida sossegada, ideal, e, ainda por cima juntar um link com fotografias tão apelativas, que aconselho todos a explorar. Arrisco-me a que o meu lugar de sonho esteja super povoado quando eu lá chegar, ao Vals Sans Retour, no Alaska.

Fata Morgana
 

 
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