| Fata Morgana...
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...ou o Claro Obscuro |
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Avalon, 15 Fevereiro, 2004
Costumo ir ao cinema duas vezes por semana (pelo menos!). Mas não sou uma cinéfila, vou sem aquele sentido crítico punitivo de manifestações românticas consideradas fora de moda (acho isso uma pena...) ou de finais felizes, ou melodramaticamente infelizes. Vou porque gosto de cinema, naturalmente e sem preconceitos pseudo-intelectuais (claro que não estou a cascar nos Intelectuais, mas esses não podem ir muito ao cinema, não há assim tantos filmes para eles). Claro que faço questão de ver bom cinema, querendo com isto dizer que gosto de uma boa história, bem desempenhada, inteligente, que transmita ideias, mesmo que o faça com simplicidade, ou com humor, desde que este esteja longe da palhaçada!
Sou sensível a um bom guarda-roupa, às reconstituições históricas bem feitas, a uns bons efeitos especiais. Gosto da caracterização ? fantástica aquela Nicole Kidman nariguda, interpretando Virginia Woolf (The Hours). E uma banda sonora primorosa, seja original ou feita de temas conhecidos, medievais ou de ontem mesmo, não importa, desde que sejam bons e oportunamente relacionados com as cenas, faz-me sempre vibrar. É evidente que prefiro os filmes que passam a fazer parte de mim para sempre, que entram fundo, com uma força capaz de me fazer pairar durante dias e depois, quando assento, estou diferente, mais completa, mais educada. Mas esses são raríssimos, não posso esperar que todos os filmes sejam como o "Cinema Paraíso"!... Especialmente porque gosto mesmo de ir ao cinema pelo menos duas vezes por semana!
Ontem fui ver ?Girl With a Pearl Earring?, de Peter Webber. Se já tinha ficado muito bem impressionada com a Scarlett Johansson, perfeita ao lado de Bill Murray no "Lost in Translation" ? um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos! ? ontem confirmei a minha opinião. A rapariga (tem 19 ou 20 anos) provou outra vez ser uma verdadeira actriz. Fantasticamente sóbria e subtil, inspirando, colaborando, enlouquecendo um Colin Firth à altura de si mesmo, que desempenha o papel de Vermeer Van Delft (1632-1675), pintor holandês (de Delft!), da escola flamenga (embora bastante mais intimista e pouco catalogável). Não vou contar nada, apenas deixar um conselho (!), quase um pedido: não deixem de ver este filme, que ficou quase de fora dos Óscares por nada ter de hollywoodesco nem de tipicamente outsider desse mesmo circuito. A sensação que se tem é a de ter entrado dentro da pintura genial de Jan Vermeer.
Mulher com um Colar de Pérolas; Rapariga com um Copo de Vinho; Mulher com um Jarro de Água; A Lição de Música. Alguns destes quadros que aqui deixo, aparecem no filme. Não apenas as telas, também o ambiente, as luzes, - a famosa câmara obscura usada por Vermeer, responsável pela luz e perspectiva invulgares dos seus quadros -, as cenas da sua pintura, os bastidores, as pessoas em movimento nos seus dramas pessoais. As personagens parecem-se imensamente com os modelos e o estúdio do pintor foi recriado com perfeição! A tela que dá o nome ao filme, é uma das mais procuradas de Vermeer, e esta é uma das suas possíveis histórias (uma ficção que só podemos agradecer!).
Nota: O Filme ?Girl With a Pearl Earring? foi nomeado para três Óscares (Direcção Artística; Fotografia; Guarda Roupa); e dois Globos de Ouro, que não ganhou, (Actriz Principal; Banda Sonora) © Fata Morgana |
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