Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
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Avalon, 02 Fevereiro, 2004

 

 
Poema Sinfónico

Gosto de sentir a musicalidade de um poema, relacioná-la com as palavras. Quando, por exemplo, a mensagem é dura e as palavras formam frases difíceis, que soam abruptas, o conteúdo é reforçado pelos recursos estilísticos; mas se a mesma dureza surge expressa em palavras fluidas e frases serpenteantes, que escorrem com facilidade pela nossa língua, a oposição conteúdo-forma pode ser igualmente interessantíssima.
Hoje fiz uma escolha especial. Se, após uma leitura, a dissermos em voz alta, o resultado é...


Poema concretista

Filomena Adriana Isabel Assunção
Patrícia Andreia Rita Aurora Joana
Antónia Augusta Rosa Encarnação
Sara Sandra Celeste Miriam Ana

Judite Márcia Emília Dores Maria
Elvira Elisabete Júlia João
Josefa Arminda Lúcia Aida Sofia
Cristina Estrela Diana Conceição

Mariana Marta Acácia Lurdes Laura
Margarida Inês Silvina Sílvia Neuza
Paloma Elisa Elsa Alda Isaura

Beatriz Ângela Helena Luz Tereza
Manuela Ilda Rosário Rute Maura...
Qual de todas deixou a luz acesa?

Bernardo Pinto de Almeida
in ?Hotel Spleen?


Quero aqui guardar, no meu canto predilecto, este poema curioso. O autor, Bernardo Pinto de Almeida, crítico e historiador da arte, escritor e poeta, exprime de um modo assaz invulgar aquilo que os seus olhos vêem e também o que pensa e sente. Gosto de como ele tornou uma sucessão de nomes de mulheres, em algo tão sugestivo! Alguns versos são doces, soam doces, arredondados, como formas femininas. Outros são mais bicudos, com vértices, a sugerir elementos de tensão. O todo diz tanto, que me surpreendo, pois são apenas nomes!
Fico, assim, com a impressão de que nem todos precisarão de escrever uma Ode intitulada ?As Mulheres da Minha Vida?. Poderia ser suficiente enumerá-las, conjugando os sons dos nomes das que fizeram a diferança, com o travo que tenham deixado na vida do poeta. Este, só aparece no final com uma pergunta factual. E essa pergunta faz-me divagar, por muito "concretista" que seja para quem assim a faz. Gosto muito deste poema, que retirei do MEU exemplar do livro "Hotel Spleen", esperando que o autor não me leve a mal roubar-lho emprestado.

© Fata Morgana
 

 
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