Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
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Avalon, 06 Abril, 2004

 

 
Caminhavam todos naquela direcção. Todos. Os meus olhos atiraram-se ao horizonte, certos de ir encontrar um motivo, fosse ele feixe de luz ou porto-seguro, mas em vão. Não se avistava nada que justificasse um tal consenso. Talvez estivesse mais longe, talvez não se avistasse ainda, pensei, lembrando-me de que a terra é redonda, e juntei os meus passos aos de toda a gente. Só por algum tempo, que não seja muito nem pouco, pensei, e tratei de escutar o coração enquanto caminhava, pois não há outro modo de saber quanto é o tempo certo que temos para as coisas.

Troquei palavras com alguns caminhantes. A tudo quanto lhes disse me responderam coisas vagas. Quando por fim arrisquei a pergunta olharam-me com expressão entendida, e, de repente, era como se sentissem por mim uma pena profunda, um nadinha cómica. Alguns deixaram de me falar e afastaram-se, outros apenas mudaram a forma como me ouviam e respondiam, mas percebi que a minha pergunta pusera uma mesma ideia na cabeça de todos, sem que tivessem necessidade de trocar impressões a meu respeito. Descobrindo isso, sorri para mim só, o que os fez sorrir uns para os outros.

Voltei-me e segui um caminho que não tinha gente. Mas no horizonte avistei coisas e eram coisas que eu queria atingir com os meus passos. Algumas saíam de dentro de mim e posicionavam-se algures mais adiante. Outras eram-me exteriores, mas vendo-as, sentia que lhes queria chegar.
Cada vez andava com mais entusiasmo e nunca me cansava, apesar de saber que tinha de ir sozinha e só havia de parar para morrer.

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