Nas pontas dos meus dedos
sinto o gume
Com pequenos toques
pelas linhas cortantes desse rosto inquieto
Em pequenos golpes
sinto as marcas do passeio predilecto
O mais longo instante é
nos cantos dos lábios
e flutua
em gesto contrário
ao trejeito descaído que detecto
Se abrisse os olhos,
se te visse,
talvez pudesse
dizer-te: és belo
talvez soubesse,
olhando,
percebe-lo.
Assim,
não sei
mas sinto
e se porventura o disser não minto.