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...ou o Claro Obscuro |
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Avalon, 09 Julho, 2004
Umbral
A vastidão fazia-me sentir pequena e frágil. Coisas que eu não sou. Ali, parada no meio de tanto espaço aberto, longe de todas as pessoas, de todos os seres, olhava em mim e via um poço sem fundo. Atirei uma pedra e ela saiu do mundo, atravessando-me e seguindo sempre, em queda livre pelo espaço. Há-de entrar na órbita de um astro qualquer. Mas a pedra não sou eu. Apenas carregou consigo algo de mim porque me atravessou. Rio-me para dentro do meu poço. O som do meu riso faz eco e perde-se no espaço, também. Mas nunca será um satélite. Terá uma existência errante, sem destino nem descanso, vogará pelo espaço, rindo sempre e assombrando os lugares habitados por onde passar. Continuo com vontade de fazer experiências. Parece-me mais sensato voltar para a minha floresta. Assim que comecei a andar choquei de encontro a um obstáculo muito consistente. Com surpresa, vi, à luz mortiça do candeeiro de tecto, que era uma parede. Não vou ficar aqui a sentir-me invisível e desintegrada no sistema universal como se não fosse real Poço sem fundo atiro uma pedra e ela sai do mundo. Luz artificial amarela descolorida janelas estreitas na cal abrem uma ferida © Fata Morgana
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