Morgan Stairs
Levantei-me com o primeiro raio de sol, a quem tinha pedido que me acordasse. Ele trouxe-me do meio de um Sonho, projectando jogos de luz e sombra nas minhas pálpebras, que de repente pareciam telas animadas. Acordei decidida a perseguir as imagens que nelas brincavam. Depois percebi - Obrigada raio de sol! - espreguicei-me e saltei da cama. Saí pela escada que fica do lado de fora da janela do meu quarto. Desci.
Os sonhos ainda estavam comigo e conversávamos numa língua inventada, entre risos e lágrimas imaginados. Alguns foram-se embora assim que pousei os pés no chão, outros permaneceram ao meu lado, entre sorrisos e choros, passando muito rapidamente de uns para os outros, pela ponte de motivos subterrâneos.
Caminhei até chegar ao lago e depois continuei ao longo da margem, até ao meu recanto favorito, oculto entre arbustos. Pousei o meu roupão e entreguei-me à frescura das águas transparentes e pouco profundas naquele local só meu. Brinquei com os raios de sol que iam chegando, alguns a apontarem-me os seixos perfeitos de cores bonitas que jaziam no fundo; outros a chamarem os pássaros, que traziam sempre muita música a este momento diariamente repetido, em que só aos sonhos ridentes permito que me acompanhem. Esfreguei no corpo folhas aromáticas de plantas amigas e mergulhei, deixando os cabelos a ondular livremente. Depois saí da água e estendi-me sobre os tufos de erva macia. O sol, que já se declarara por inteiro, veio secar-me com a Graça incomparável de um Astro Rei que é de todos e para todos, aquecendo-me numa Luz doirada e envolvente.
Os sonhos que tinham aguardado na margem despediram-se de mim e voltaram para os seus lugares... uns, para a noite acabada de morrer; outros, para aquela que a lua anunciaria mais tarde; outros ainda, para junto de quem os tinha inspirado a visitar-me. Os meus sonhos mais conscientes ficaram comigo, ocultos no meu coração. Vamos lá começar o nosso dia! - disse-lhes eu na tal língua inventada, enquanto vestia o roupão e me encaminhava de volta ao meu quarto. Tornei a subir pela mesma escada e entrei pela janela.
Quando saí novamente, já vestida e preparada para todos os desafios e surpresas que pudessem surgir, fi-lo pela porta e desci pela larga escadaria do meu castelo. Com certa malícia divertida, cumprimentei - Bom dia, Dia! No meu coração os meus sonhos mais conscientes riram-se da minha pequena impertinência. E juntos sentimo-nos fortes e entusiasmados, curiosos de descobrir o novo dia, pois a Alegria estava connosco. Isso trazia-nos muita Confiança!
© Fata Morgana