Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
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Avalon, 01 Outubro, 2004

 

 

Tuscan Duet by Sally Smith

-Olá!
-Não venhas com esse sorriso!...
-Ora essa! É o meu, não tenho outro.
-Tens imensos. E esse é o que me cria expectativas tolas que nunca se concretizam.
-Que culpa tenho eu?
-Pois, não tens nenhuma, por isso te peço que penses em qualquer coisa engraçada, que te deixe igualmente risonha mas não desse modo.
-Mas qual modo?!
-Já te disse.
-Bem... volto quando te passar a mosca.
-É melhor ficares.
-Não estou para isso.
-Mas se te vais com esse ar, fico na dúvida se as minhas expectativas poderiam ter fundamento.
-Tu és mesmo maluco! Qual ar?!
-Esse... de vaga tristeza e censura.
-Como queres tu que me sinta?!
-Normal, se puder ser.
-É impressão minha ou estás a chamar-me anormal?
-Não queiras armar discussão.
-Eu?! Mas tu é que...
-Não digas isso! Depois fico a pensar que sou um camelo e que sou eu que estrago tudo!
-Mas tudo o quê?...
-Nada...

São assim, eles. Só têm diálogos de boca de cena, como este. O público entende-os perfeitamente, aos dois. Eles apenas sabem as suas próprias linhas.

© Fata Morgana
 

 
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