Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
Todos os direitos reservados © Fata Morgana, SPA
Avalon, 29 Abril, 2004

 

 
Passei o dia a pensar nisto sem poder fazer nada, pois não estava em casa. Hoje é o Dia Mundial Da Dança! Para mim, o ballet é a forma MAIOR, mais BELA, e mais COMPLETA, de expressão que existe. É mais do que uma arte, uma linguagem em que todo o corpo intervém, libertando o pensamento e o espírito, dando-lhes gesto ? e os gestos nunca mentem. A dança é o canto da alma.
Não pode passar da meia-noite sem que eu aqui deixe o dia assinalado... por Rudi, claro.


Nureyev, solo de Apolo

Obrigada, João, por me teres avisado. Eu não sabia!

Fata Morgana



 

 
Avalon, 28 Abril, 2004

 

 

Bob Ichter


A Vós

Todos os dias
há um tesouro que se desperdiça
porque não se olham.
Todas as promessas
que ficam nos sorrisos
por cumprir,
Tudo o que não sabem
nem podem sentir
porque têm medo
e o medo gela,
entorpece.
O coração dele adormece
O dela torna-se azedo.

E assim, quando se juntam
envenenam o amor que resiste em segredo.

© Fata Morgana

 

 
Avalon, 25 Abril, 2004

 

 
Pensando bem, já aqui tenho contado algumas coisas muito minhas. Desde situações absurdas causadas pelas minhas distracções, fobias, ou pequenas manias; a outras coisas muito mais sérias, como a minha história com o ballet, a mania do Alaska, aquele Mês do Sagitário, ou o que cá deixei, daquela vez, Para Ele.
O Claro Obscuro tornou-se num espelho meu ? expressão comum mas verdadeira, apropriada. Aqui, escrevo a minha poesia e os meus textos, guardo imagens que gosto, cito os que moram no meu coração, faço homenagens. Mas não pareceria meu se não contasse coisas mais pessoais, coisas que me acontecem, coisas que faço. Ou fiz!...
Eu tenho uma predilecção, acho que óbvia, pelas coisas do amor. Pois bem: sempre fui assim. Aqui vai mais uma Confissão, uma das minhas favoritas!



Confissões V ? O Meu Vizinho

Eu tinha sete anos. O vizinho tinha dezanove. Era visita assídua de casa do meu avô, onde eu morava provisoriamente, com a minha mãe e o meu irmão. Ele passava muitos serões a estudar com o meu tio solteiro, andavam ambos em Economia.
Esse meu tio proporcionou-me ? sem o saber, porque eu escondia-me debaixo de uma mesa de camilha ? o contacto com as conversas de rapazes. Umas que metiam alguma maroteira, muita estroinice e copos; outras sobre raparigas de quem eles gostavam, quais eram mais giras, mais inteligentes, quais as que lhes dariam troco... e viravam do avesso as várias possibilidades... aquilo era giro! Eu, podendo, escapulia-me para o meu canto e lá ficava, muito calada a ouvir. Uma vez o vizinho contou que andava aflito por causa de uma rapariga.
Acontece que eu tinha um fraquito (não muito extraordinário, mas tinha) por esse amigo do meu tio, que via constantemente. Ficava vexadíssima quando ele passava em frente à nossa casa e me apanhava em flagrante no jardim toda esmurrada ou em cima de alguma árvore, pois esforçava-me imenso por ter um ar adulto à frente dele. E ele achava-me piada, brincava comigo, perguntava-me se eu tinha namorado... e meteu-se-me na cabeça que ele andava naquelas dúvidas por minha causa!
Um dia percebi que não, que não era nada por minha causa, e sim de uma tal JD, sirigaita dos seus dezasseis anos, que andava a dar-lhe cabo do juízo. Primeiro ligava-lhe... depois, afinal, já não... Enfim, ela não era tola nenhuma e tinha-o pelo beicinho!
Fiquei fula. Não com ele, coitadinho, ele era infeliz!! A megera era ela, que até andava no meu colégio, por isso eu havia de resolver aquele caso, provar que ela era uma mazona!
Vai daí, no Colégio, comecei a andar muito pelos corredores ?das grandes?. Sempre que via a JD, toda armada em esperta no meio das amigas, lá ia eu para bem pertinho. Elas deviam achar estranho estar sempre a encontrar-me, um nico de gente ali tão longe do recreio de nicos, mas eu não me ralava, eu tinha motivos muito válidos, ora! Aquilo era uma missão!
Quem não entendia nada era a minha mãe, a quem eu comecei a pedir roupas como as da JD ? lembro-me como se estivesse a vê-la, no seu kit de camisola preta de gola alta, saia de ganga e botas pretas, de tacão, claro! Mas é que, de repente, pareceu-me muito mais lógico que o meu vizinho ? por quem eu então já tinha, não um fraquito, mas a real paixão assolapada ? quando me visse vestida de grande era capaz de se esquecer daquela chatona. A minha mãe julgava que aquilo me tinha ocorrido assim sem mais nem menos, troçou-me amenamente e mandou-me ter juízo, explicou-me que não podia andar de tacões com sete anos!
Os meus planos sofreram um golpe feio. Mas eu decidi contorná-lo. Já que não podia vestir-me como convinha para conquistar o meu rapaz, conquistá-lo-ia sem me mostrar. Um dia tudo se esclareceria e eu, entretanto, escusava de desistir tão novinha de andar pelos telhados, de jogar ao elástico e de cantar a plenos pulmões em cima da mesa de ping-pong que ocupava metade da garagem ao fundo do quintal (era o meu palco e ouvia-se de certeza uma gritaria infernal nas casas mais próximas). E também escusava de andar atrás da chata da JD (ela era gira, mas eu não queria admitir tal coisa!).
Espertíssima, comecei a escrever-lhe umas cartas supostamente em tom interessante e misterioso. Eram declarações de amor. Num estilo desajeitadíssimo, dizia-lhe como o achava tão bonito que mal podia respirar quando o via... mas também que não estava segura dos meus sentimentos, embora gostasse muito dele.
Fartei-me de meter cartas com xaropadas destas na caixa do correio do vizinho de dezanove anos! Cartas escritas com caligrafia de escolinha, as letras eram umas bolas enormes, tudo um bocado esborratado mas num papel muito bonito, que eu palmava à minha mãe.
Eu com o vizinho já não estou nada preocupada: mas as cartas, quem me dera, hoje, lê-las!

© Fata Morgana

 

 
Avalon, 20 Abril, 2004

 

 
Poema com Post-Scriptum

Ama-se por todas as razões
mas nenhuma é tão forte
como aquela
que não é razão nenhuma.
O coração dói, liberto
e salta doido no peito,
paramos de respirar.
O pensamento não pensa,
sente.
O sentimento não sente,
é.

Fata Morgana

PS. (Respiramos?
mas mais depressa e superficialmente;
se não fosse o todo
ser contente
em posse
de algo maior
cansar-nos-ia quase logo
e voltaríamos a suspirar profundamente).

© Fata Morgana





 

 
Avalon, 17 Abril, 2004

 

 


O Leste de um Beijo

Na palma da minha mão
pousaste, com força,
um beijo.
Não me acordaste o desejo
não perguntei o motivo.

Se era um adeus, um carinho
um mero gesto furtivo,
porque o fizeste eu não sei.
Atirei-o ao vento Leste
e o beijo que tu me deste
voou para longe sozinho.

Depois, nos gestos da vida
em que às vezes ajudei
estendi a mão, dei guarida
Na palma da mão beijada
é que parecia guardada
a força com que toquei.

Não sei o que é, não sei.
E pergunto ao beijo ausente,
à mão vazia, sem nada.
Escuto ao longe a voz do vento
dizendo-me num lamento:
- Ainda não sentes? Sente!

© Fata Morgana

 

 
Avalon, 16 Abril, 2004

 

 


Pronto, podem voltar. Já não é a aranha que recebe aqueles que vêm ao meu castelo.
E tendo eu - Morgana ? o dom de ser metamórfica, não me custa nada trocar rapidamente de aparência.
Para substituir a forma do bicho que mais detesto (se calhar o único que realmente detesto mesmo!), vou assumir a do meu favorito.

Vamos a ver como ele pena?...

Fata Morgana

PS. Achei deveras curiosas as reacções, que me levaram a optar por fazer um post de emergência!



 

 
Avalon, 14 Abril, 2004

 

 


Confissões IV ? Sou aracnofóbica!

Não suporto aranhas. Basta falarem-me delas e fico logo cheia de picadas e impressões, espiolhando ostensivamente os cantos e os tectos do lugar em que o detestado bicho tenha sido mencionado, e se estiver com pessoas com quem não tenha grande à vontade, fico numa consumição por não ter coragem de espreitar para debaixo da cadeira, da mesa, enfim, imagino-me logo quase no meio de um ninho de aranhas.
Depois elas parecem não saber que as detesto. Se aparece uma, é para mim que se chega. E eu não tenho coragem de as matar ? horroriza-me só imaginar-me a sentir a bicha, mesmo esborrachada, e além disso ela podia lembrar-se de desatar a correr direita a mim ou, quem sabe, saltar! Nunca consegui apurar a verdade: elas saltam? Toda a gente me diz que sim... mas pode muito bem ser para me gozar. Oxalá seja, pois a ideia de elas não voarem nem saltarem (?) tranquiliza-me um bocadito (muito pequenito...).
Passei muitas férias no Alentejo, numa casinha a um quilómetro de uma praia deserta (na altura...). A casa fica no campo, numa zona com arbustos e vegetação, próxima de terrenos de cultivo. É uma casita de quinta, que os senhorios no Verão alugam aos turistas ? espero que sejam vivos e estejam de boa saúde, a D. Luísa e o Senhor José. Tem um quarto, um quarto de banho e uma cozinha que é também sala de estar e de jantar. Tudo pequeno mas não atarracado e muito arranjadinho. Mas cheio de aranhas, claro.
O dia da chegada era destinado a exterminar as aranhas, ou para mim não haveria férias. Como as descubro imediatamente e não sou capaz de matá-las, eu apontava e o meu gentil Cavaleiro matava-as, com bravura! No fim eu esvaziava duas latas de baigom spray pela casa e enchia as frinchas, furinhos, cantinhos, frisos dos parapeitos das janelas e outros locais, com baigom em pó. Íamos sair, e deixávamos a casa marinar em veneno durante um par de horas. Depois voltávamos e arejávamos tudo, varríamos os bichos (de alguns eu tinha pena, mas pagava o justo pelo pecador), arrumávamos as nossas coisas, e pronto!, eu respirava fundo, inundando os pulmões de restos de baigom, e começavam as férias!
Houve um ano em que nada disto foi possível. Saímos tarde e não chegámos a tempo de proceder ao ritual do costume, que a D. Luísa observava ligeiramente zombeteira, segura de que as pessoas da cidade têm umas maluqueiras muito cómicas e inúteis. Dessa vez, as aranhas ?óbvias? foram sacrificadas... e eu tive que me conformar e deixar as que estavam escondidas ? portanto as mais espertas! ? para o dia seguinte.
O povo das fadas é sereno. Mas... tal como o Aquiles, também temos todos um fraco, e ali estava eu sem defesas, pois o meu Cavaleiro e o Elfozinho que nos acompanhava caíram redondos num sono profundo. Resignada, contei três aranhas, que entretanto apareceram (!) e pensei para comigo ?resta-me vigiá-las: enquanto estiverem nos seus cantos não sobem pela cama acima!?. Deitei-me e preparei-me corajosamente para a noite, longa e dura.
Só que o cansaço venceu-me... mas não a persistência! Adormeci, é certo. Assim como certo é que preguei um grande susto ao meu Cavaleiro, que, de súbito, armou um estranho burburinho mesmo ao meu lado, abanando-me e chamando-me e eu ? estafada! ? demorava a responder... parecia que aquilo vinha de um sonho, que não estava a acontecer.
Mas lá acordei e abri... não, não abri os olhos, apenas os foquei, pois já os tinha abertos. Tinha adormecido com os olhos abertos para vigiar as aranhas! A descrição da minha figurinha é assustadora, de pálpebras completamente levantadas, olhos fixos e um ar ausente...

© Fata Morgana

PS. Vou ali comprar baigom e volto já: vi muito bem aquela aranha lá em cima!!!!

 

 

 

 


A Verdade nos Lapsos

Vou sempre para onde o coração me guia, na escolha gradual que for sentindo certa, ignorante do que irei encontrar no final. Chego sempre a um lugar não premeditado que, meu conhecido ou não, percebo logo que me pertencia já, durante todo o caminho. Já era meu.
Tudo o que digo, se não vier do íntimo quase meu desconhecido, pouco significado tem. Os meus raros discursos foram quase sempre inúteis. Por belas que as palavras fossem, escapava-lhes a leveza da simplicidade e a crueza da verdade que tenho no meu coração - só ele pode falar longamente e nunca mentir.
Pequenina e simples frase: mais credível ela é. Mais longe andou dos filtros do pensamento, mais perto a senti em mim. E melhor ainda se contiver um erro de gramática!

© Fata Morgana

 

 
Avalon, 12 Abril, 2004

 

 
Também eu ponho Bach a tocar baixinho. Para Rudi

"Tem um piano?, perguntou.
Tinha algo de travesso nos cantos dos olhos e tive de conter um sorriso.
Não, respondi.
Nesse mesmo instante, uma outra nota de piano pairou do quarto andar e alguém começou a tocar Beethoven com extraordinária beleza. Rudi tremeluziu e disse que era capaz de travar conhecimento com o proprietário do piano e convencê-lo a deixar praticar.
(...)
Juntei-me a ele à mesa, de onde me lançou outro sorriso rápido, antes de voltar a afundar-se na comida.
Então queres ser bailarino?, perguntei.
Quero dançar melhor do que aquilo que sei, disse ele.



(...)
Perecia tão jovem, jovial e ingénuo. O seu sorriso descaído dava-lhe um ar de certa forma triste, que não era, de modo algum. Quanto mais o examinava mais reparava nos seus olhos extraordinários, enormes, indomados, como se fossem entidades independentes, revistando o apartamento, esquadrinhando a minha colecção de discos. Pediu um pouco de Bach, que pus a tocar baixinho e a música parecia percorrê-lo enquanto comia.
(...)
Começou a dançar e parecia que estava a verificar a envergadura das suas asas.



Deixei-o ficar, movendo-me em seu redor para limpar a louça. Antes de eu ir para a cama, gritou no máximo da sua voz: Obrigado, Yulia Sergeevna!"
in ?O Bailarino? de Colum McCann

Estes excertos são pequenos quadros das primeiras horas que Rudolfo Nureyev passou em Leninegrado, onde se deslocou em 1956 para uma série de audições na Escola de Bailado do Teatro Kirov (onde foi aceite como aluno). Yulia era a única filha da sua professora de dança em Ufa e nunca antes vira o rapaz, mas entre os dois criou-se um estranho laço, nunca quebrado. Yulia foi a última pessoa que Rudi visitou quando, após 30 anos sem pisar solo Soviético, lhe foi concedido um visto de 48 horas para visitar a sua família.

© Fata Morgana
 

 
Avalon, 10 Abril, 2004

 

 


Aos meus amigos; aos meus conhecidos; aos meus desconhecidos, que aqui lêem mas não comentam; aos que aqui passem por acaso ou por engano; a todos desejo uma Páscoa Feliz!

Fata Morgana

 

 
Avalon, 07 Abril, 2004

 

 



Quando as sombras
no Verão
chegam ao meu coração
e o refrescam
gentis
Eu recolhida
descanso
no raro momento manso
sentindo as brisas subtis

É como o sol
do Inverno
que oferece um momento terno
de calor
e aconchego

São estes laivos contidos
na estação do ano oposta
o Tai-chi da Natureza.

© Fata Morgana

 

 
Avalon, 06 Abril, 2004

 

 
Caminhavam todos naquela direcção. Todos. Os meus olhos atiraram-se ao horizonte, certos de ir encontrar um motivo, fosse ele feixe de luz ou porto-seguro, mas em vão. Não se avistava nada que justificasse um tal consenso. Talvez estivesse mais longe, talvez não se avistasse ainda, pensei, lembrando-me de que a terra é redonda, e juntei os meus passos aos de toda a gente. Só por algum tempo, que não seja muito nem pouco, pensei, e tratei de escutar o coração enquanto caminhava, pois não há outro modo de saber quanto é o tempo certo que temos para as coisas.

Troquei palavras com alguns caminhantes. A tudo quanto lhes disse me responderam coisas vagas. Quando por fim arrisquei a pergunta olharam-me com expressão entendida, e, de repente, era como se sentissem por mim uma pena profunda, um nadinha cómica. Alguns deixaram de me falar e afastaram-se, outros apenas mudaram a forma como me ouviam e respondiam, mas percebi que a minha pergunta pusera uma mesma ideia na cabeça de todos, sem que tivessem necessidade de trocar impressões a meu respeito. Descobrindo isso, sorri para mim só, o que os fez sorrir uns para os outros.

Voltei-me e segui um caminho que não tinha gente. Mas no horizonte avistei coisas e eram coisas que eu queria atingir com os meus passos. Algumas saíam de dentro de mim e posicionavam-se algures mais adiante. Outras eram-me exteriores, mas vendo-as, sentia que lhes queria chegar.
Cada vez andava com mais entusiasmo e nunca me cansava, apesar de saber que tinha de ir sozinha e só havia de parar para morrer.

© Fata Morgana



 

 
Avalon, 04 Abril, 2004

 

 
O Nilson tem em Nimbypolis um post muito interessante sobre a Lenda do Rio Lethes. Em tom casual, disse que talvez a beleza da lenda até me inspirasse um poema... Inspirou!


O Rio do Esquecimento

Sobre as águas inclinado, num lamento
Perguntava-lhes que espécie de viagem
Passando apenas de uma à outra margem
Causava assim completo esquecimento.

O rio em curso silencioso e lento
Sob a ponte fazia uma paragem
Como se algo o prendesse na passagem
Redemoinhando ali por um momento.

Do outro lado, alheia ao seu tormento
Sorria-lhe ela, como a uma miragem
Alegre, a voz chamava-o sem temor.

Foi ele, então, passando com coragem.
E olharam-se num mesmo pensamento:
«Não te conheço e já te tenho amor!»

© Fata Morgana



 

 
Avalon, 03 Abril, 2004

 

 


Passei 9 anos num asilo de alienados.
Fizeram-me ali uma medicina que nunca deixou de me revoltar.
Essa medicina chama-se electrochoque, consiste em meter
o paciente num banho de electricidade, fulminá-lo
e pô-lo bem esfolado a nu
e expor-lhe o corpo tão externo como interno à passagem
de uma corrente
que vem do lugar onde se não está nem deveria estar para lá
estar.
O electrochoque é uma corrente que eles arranjam sei lá
como,
que deixa o corpo,
o corpo sunâmbulo interno,
estacionário
para ficar sob a alçada da lei
arbitrária do ser,
em estado de morte
por paragem do coração.

Antonin Artaud
(poema inacabado sobre Rodez)


Ontem e hoje não arranjei tempo para escrever ou escolher algo já escrito anteriormente, para deixar aqui. Por isso fica no ar a voz daqueles que o meu coração prefere: ontem o Rudi; hoje o Artaud.

Fata Morgana

 

 
Avalon, 02 Abril, 2004

 

 
"For me, dance and life are one. I will dance to the last drop of blood."
Rudolf Nureyev




E dançou mesmo!...

Fata Morgana

 

 
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