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...ou o Claro Obscuro |
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Avalon, 30 Abril, 2005
![]() Foto de autor desconhecido Meus amores esbofeteados jamais esquecidos (quase preferidos) meus desprezados Este é o vosso poema de amor no estado assintomático morno e estático Bolso de seixos rolados, as vossas arestas e cumes ficaram arredondados, para mim são quase iguais. Já que não vos amei mais e até os cabelos me doem de tanta piedade abstracta sem lenitivo Ensinem-me a matar-vos com atenção e paciência de um modo figurativo © Fata Morgana PS. Eu queria tirar os gatos daqui mas eles não desaparecem por mais voltas que eu dê ao template. A quem ouvir miar peço desculpa! (São os sons do telefonema anterior...) Avalon, 27 Abril, 2005
O Amor é (realmente)... Tramado, pronto! Ele telefona-lhe para combinarem o próximo encontro. Na rápida troca de frases vão surgindo alguns gracejos entre várias sugestões e alguns mimos recíprocos. Ela não diz o nome dele, chama-lhe sempre gatinho e ele gosta. Gosta mesmo muito, a ponto de ficar com voz de sorriso rasgado. Mas nada que se compare à expressão de pura delícia que lhe enche o rosto, quando, acertado o encontro, ela se despede com um até logo, safadinho... A ligação é cortada. Ela começa logo a pensar noutros assuntos mas a expressão dele permanece, por vezes até chegar junto dela. É que ele não sabe que antes havia o gato, a quem ela chamava o seu safado. E ela continua à procura do tigre que há-de ser o seu amor. © Fata Morgana ![]() Gatinho Avalon, 21 Abril, 2005
Continuação de "Artifícios Comuns" e "As Três Leis da Robótica" (Partes I e II) As Três Leis da Robótica - Parte III É claro que perdera todas as regalias e tinha que acabar de cumprir a pena na mais completa reclusão. Fora uma sorte não ter sido considerada robofóbica reincidente, pois isso teria obrigado à minha transferência para a Prisão Inteligente. Mas, graças à incongruência das informações dadas por Cyc - que não parara de fazer sugestões totalmente fora de propósito - revelara-se impossível apurar se eu tinha reincidido ou não, e A Comissão colocou renitentemente a hipótese do Robot ter enlouquecido. Não estavam muito convencidos disso, pois não esqueciam que ele fora programado para mim - para me espiar, mas também para me proteger! Alguma coisa podia ter falhado no processo de programação e Cyc podia ter optado exclusivamente pelo segundo objectivo, ao ser confrontado com indicações contraditórias. Por um lado desconfiavam de mim, uma robofóbica com alguns incidentes pós acusação; por outro havia o problema das pequenas falhas por vezes apresentadas pelos Robots pré-programados, já que eram Enciclopédias de Senso Comum - e este, apesar de lógico, não é matemático. Pareceu-me que suspeitavam que Cyc tivera um gesto altruísta, mas não sabia se tal coisa era possível. ![]() Kraftwerk (A Comissão) A Comissão decidiu levar Cyc para uma Enfermaria de Robots. Quando os vi sair com o pequeno andróide, senti imediatamente um inexplicável vazio. Corri até à porta da rua e gritei calorosamente - Até breve, Cyc! O Robot respondeu monocórdico como sempre - Sugestão: cantar. Alguns representantes d'A Comissão olharam-me com frieza, como se a culpada daquilo fosse eu. A maioria, porém, nem se voltou. A porta fechou-se com um suave clic. Só um incêndio ou qualquer outra calamidade - como uma visita d'A Comissão! - accionariam o seu mecanismo de abertura. Encolhi os ombros e fui para a cozinha, onde constatei, com algum alívio, que os Robodomésticos tinham tratado do meu jantar, como habitualmente. O menu era rigorosamente fiel ao que eu escrevera no Robobloco, nessa manhã. O ambiente estava aquecido, a música óptima, tudo como eu gostava. Mas faltava-me o ruído suave de Cyc a deslizar de um lado para o outro. E a voz com que inexpressivamente me comunicava - Alimentos estão a arrefecer. Sugestão: ligar Termobase. Bolas, algum daqueles Robodomésticos iria reparar se a minha comida arrefecia?! Jantei rapidamente e meti o prato, o copo e os talheres no Robokit de Limpeza. Sem ideias e sem Sugestões, decidi recolher-me. Ao fim de dois dias, cedi. Tinha saudades de Cyc, pronto. Mais valia aceitar o facto, talvez até fosse bom para a minha situação, pois não deve ser habitual as pessoas Robofóbicas sentirem a falta de um Robot, mesmo que fosse só de um. Peguei na Minitela e, pela primeira vez, premi aquele botão, estabelecendo contacto com A Comissão. - Bom dia. Quero notícias do meu Mordomo. - Quais os motivos da sua pretensão? - Ora!... - tossi um pouco - Cyc faz-me falta! - Muito bem. Providenciaremos. Não disseram o que iam providenciar e cortaram a ligação sem nenhumas cerimónias. Lembrei-me de que nunca hesitavam em ser desagradáveis nem faziam questão em me poupar contrariedades, por isso convenci-me que o silêncio era uma aquiescência e Cyc ia voltar a qualquer momento. Duas horas mais tarde a porta da rua abriu-se e o Mordomo entrou. Não era Cyc!! Tinha um ar assustador, pois não era revestido, tinha visíveis vários pequenos motores, transístores, um sem número de feixes de cabos finíssimos e as duas pequenas câmaras de vídeo que eram os olhos, voltadas para mim, que estremeci. O Robot estendeu-me a mão - uma ferramenta horrenda munida de várias pinças - e só então notei que trazia um papel. ![]() Braço do Cog Era-me dirigido. Desdobrei e li: "Lamentamos participar-lhe a auto-destruição de Cyc. Contra tudo aquilo para que foi programado, Cyc seleccionou a opção sem alegar qualquer motivo. No entanto, possuímos meios de verificar as bases de dados dos Robots, o que fizemos. Suspeitamos que Cyc se auto-destruiu ao abrigo da Lei nº3 da Robótica - Um Robot deve proteger a sua existência enquanto for possível, desde que essa protecção não se oponha à primeira e segunda Leis. Acompanhe Cog à nossa presença para novo julgamento. A Comissão" Larguei o papel e olhei para Cog - aquela espécie de horroroso esqueleto electrónico - com os olhos cheios de lágrimas. Bem, mais valia conter-me e segui-lo. E não dizer mais nada. O Híbrido estava à porta preparado para nos transportar, claro. Com ele sim, fartei-me de conversar, de repente também gostava do Híbrido, que me ia respondendo suavemente, a mim, que nunca explorara as suas possibilidades, que sempre fora pouco simpática, desagradável mesmo. Cog ia calado. Não apresentou uma única sugestão. Era intolerável! Quando chegamos, tinha A Comissão em peso, que incluia o pessoal de apoio, à minha espera. Pareciam anormalmente sorridentes e até afáveis, quando nos sentamos à volta de uma mesa. Assim que a reunião principiou, todos se voltaram para mim e disseram uma única e surpreendente palavra: - Parabéns! Levantei-me e pus-me a andar de um lado para o outro, sem compreender. - Parabéns? Mas parabéns porquê?! Por estar cheia de saudades do meu Robot? É por isso?! Durante muito tempo o que eu mais desejava era que os Senhores me aprovassem... mas agora... agora o que eu mais queria era tornar a ver Cyc! Dito isto larguei mesmo a chorar, germiando patéticamente que "o Robot se matara por minha causa!!!". O feixe Cog, finalmente, mostrou que sabia falar. E... Oh!, eu conhecia tão bem aquela voz! - Sugestão: colocar revestimento a Cog. ![]() Cog e Cyc Já um novato qualquer d'A Comissão se apressava a trazer uma espécie de revestimento cor de carne, enquanto mais dois - dos tais, menos importantes - o ajudavam a colocar o Robot dentro da sua carnagem e... Cog era Cyc! Caí nos braços do humanóide! Sentia-me feliz. Alguma coisa semelhante a um DELETE tinha acontecido ao meu passado, a tudo quanto fora importante para mim até ao momento em que dera comigo metida-numa-espécie-de-processo-de-Kafka. Mas... ouvindo a voz de Cyc isso não me ralava minimamente. Cyc é que era importante, Cyc é que contava. Não era ele que sabia tudo sobre mim e me proporcionava instantaneamente tudo o que eu queria?......... © Fata Morgana Notas: Música dos Kraftwerk - "Ohm, Sweet Ohm" do CD Radio-Activity O Mordomo Cyc (com ou sem a sua carnagem) é uma adaptação muito livre dos andróides Cyc (criado por Douglas Lenat) e Cog (criado por Rodney Brooks) As três leis da robótica (mais tarde aumentadas para quatro) são da autoria de Isaac Asimov, mas por serem aparentemente tão precisas e perfeitas foram adoptadas por outros autores e passaram a fazer parte de experiências e estudos científicos. Foi nesse contexto que as encontrei no livro Visões de Michio Kaku, que não é uma obra de ficção. Avalon, 14 Abril, 2005
Continuação de "Artifícios Comuns" e "As Três Leis da Robótica - Parte I"
As Três Leis da Robótica - Parte II Estava parada em frente ao rio, entretida a ver as luzes reflectidas na água e a gozar o ar fresco, bom de respirar. Atrás de mim ouvia vozes, uma mistura de vozes cantadas com outras monocórdicas, e perguntava-me se aquelas pessoas cantoras de palavras (nunca estivera tão consciente de como a linguagem humana é um canto!) estariam tão animadas como soavam. Não me voltei, deixando-me ficar pelas impressões auditivas. Trauteei baixinho, imitando as entoações de algumas frases que me chegavam. Sentia saudades do convívio com os humanos. Mas estava proibida de lhes falar. Já cumprira metade da pena na Clínica Inteligente. Ainda faltava outro tanto... mas as coisas não iam mal, após aquele primeiro incidente aprendera a controlar melhor a minha embirração. Tirando o estar sempre a ir contra Cyc, o Mordomo, que aparecia solicitamente por todo o lado, provocando-me sobressaltos que eu tratava logo de disfarçar, já interagia melhor com os Robots. Cyc é um andróide pré-programado, evidentemente dotado de uma Enciclopédia de Senso Comum alojada num agregado de 239 microprocessadores que são o seu cérebro. Claro que precisaria de muitos mais processadores para compreender o que eu, num silêncio irritado, lhe pedia constantemente: pára quieto! Quem me dera poder dizer-lhe isso, mas se o fizesse seria robofóbica reincidente. Achar Cyc maravilhoso e encantador era a única opinião considerada normal, uma opinião que eu tinha que fingir que era a minha. Suspirei. No meu bolso, um discreto mas perceptível tremor informou-me de que estava a ser contactada na Microtela. Lá estava o rosto inexpressivo de Cyc. Optei por não ligar o som, preferindo a mensagem escrita, que dizia - São horas de regressar a casa. Trânsito congestionado na via marginal. Sugestão: use o Híbrido em piloto automático. Dei um OK cuja secura, por escrito, ele não podia sentir. ![]() Cyc, O Mordomo Dirigi-me para o Híbrido, uma viatura ovóide que abriu a porta assim que cheguei. Instalei-me e fui saudada com um "Boa Noite", ao qual respondi enquanto ligava obedientemente o PA. A voz monótona do Robot informou: - Trânsito congestionado na via marginal - (Haha, como eles se repetem!) - Sugestão: seguir via central, que está regular. Ignorando o habitual sentimento de ridículo que o falar com as máquinas me causava, balbuciei a minha resposta favorita - Ok - mas sem vestígios de secura, que na voz seria facilmente detectável pelos sensores. A viagem decorreu com uma suavidade imensa, quase sem paragens. Fui interpelada uma vez pelo Híbrido, que parecia achar-me uma má companhia (!) e o fez notar: - Silêncio demasiado prolongado. Sugestão: música. Com um sorriso forçado concordei: - Sugestão aceite. Escolhe uma da minha lista. Os dez minutos seguintes passaram ao som da Noite Transfigurada, do Schöenberg, que tive pena de interromper mas a viagem terminara. O Híbrido insensível, calando o Schöenberg, disse-me "Boa Noite" e a porta abriu-se, para eu sair. Entrei na minha casa provisória - a Clínica! - tropeçando quase imediatamente em Cyc, que veio saudar-me e dizer-me que fosse à sala de estar, sem me fornecer motivo algum para isso, o que era muito estranho da parte de um Mordomo programado para ser gentil e eficiente. Vi-o deslizar à minha frente, na direcção da sala, parecendo entusiasmado!... Ou estaria eu a ficar doida?... O Robot, entusiasmado?! Pois parecia mesmo, serpenteando pelo corredor fora. Que nervos! - Pára, Cyc. Não tenho pressa. Ele não parou, até me pareceu que começou a andar mais depressa. - Cyc, já disse que não quero ir a correr. - Sugestão: correr na mesma. - Respondeu a criatura supostamente submissa. E cada vez ia mais depressa, e eu também, para o acompanhar. Ora, isto não pode ser assim, pensei furibunda, desta vez eu tenho razão, ele não pode fazer isto! Cheia de certeza, não me contive e berrei: - PÁRA CYC!!!! Ele parou imediatamente, não para me obedecer mas porque estávamos à porta da sala. Claro que me espatifei de encontro a ele e caímos os dois mas não me importei, de tão triunfante! - Então Cyc?! Não sabes a 2ª Lei da Robótica, a que diz que Um Robot deve obedecer às ordens dadas por seres humanos.... Fui interrompida por um coro de vozes que terminou a frase num desagradável tom de sentença: - ... excepto se essas ordens se opuserem à 1ª Lei. Olhei para eles, sem querer acreditar no que via: A COMISSÃO!! Era óbvio para todos que Cyc tentara que eu corresse para a sala a receber os visitantes-surpresa, antes que cometesse uma indelicadeza com ele ou com um Robodoméstico qualquer. Cyc fizera tudo para encurtar o meu tempo de convívio com os Robots enquanto A Comissão ali estivesse. A Comissão, que ali se deslocara para aumentar um pouco as minhas regalias, premiando os meus sinais de cura da Robofobia. Sinais que, depois disto, lhes pareciam erróneos! O Mordomo mexeu-se um pouco sob o meu corpo, e mostrou monocordicamente a sua garra: - Grande contratempo. Sugestão: desmaiar. - Cala-te, Cyc... - sussurrei - Mais vale enfrentá-los! © Fata Morgana O Mordomo Cyc é uma adaptação muito livre dos andróides Cyc (criado por Douglas Lenat) e Cog (criado por Rodney Brooks). Música dos Kraftwerk - "Radioland", do CD Radio-Activity As três leis da robótica (mais tarde aumentadas para quatro) são da autoria de Isaac Asimov, mas por serem aparentemente tão precisas e perfeitas foram adoptadas por outros autores e passaram a fazer parte de experiências e estudos científicos. Foi nesse contexto que as encontrei no livro Visões de Michio Kaku, que não é uma obra de ficção. Avalon, 09 Abril, 2005
Continuação de "Artifícios Comuns" As Três Leis da Robótica - Parte I Realmente acordei a horas e sem sobressalto. Bastou as persianas subirem lentamente, produzindo apenas um suave zumbido - o primeiro som do dia que me lembro, e o sol, àquela hora ainda tímido, com uma luz simpática, acabou de me despertar. Deitei uma olhadela inquiridora ao Roblógio modernaço, na mesa-de-cabeceira, tão calado: ainda faltava um minuto! Sorri. Não precisara da música. O duche foi uma delícia, a água começou a correr exactamente à temperatura que eu gostava no momento em que fechei as portas corrediças da banheira, e a "Water Music" do Händel era uma escolha acertada, trazia um espírito positivo ideal para começar o dia. O lençol de banho estava ligeiramente aquecido, assim como o tapete no chão, produzindo um conforto físico inacreditável de tão bom, em vez daqueles arrepios do costume. Talvez, afinal, me curasse da Robofobia de que me acusara A Comissão. A minha sorte fora a pena suspensa - eu não tinha antecedentes, ou em vez de estar na Clínica Inteligente em regime de semi-internato, estaria na Prisão (Inteligente, claro) mais do que aferrolhada! ![]() Lá, não sei como seria; aqui, para já, só maravilhas! Bem... não gostei da escovadela de dentes, confesso. Mas se me opusesse áquele solícito "braço" articulado à esquerda do lavatório podia ser mal interpretada, e os dentes ficaram lavados, apesar dos restos de pasta, que fui comendo enquanto voltava para o quarto, para me vestir. Tinha dez minutos, o que significava que, na cozinha, os Robodomésticos já estavam a preparar o sumo de laranja, as torradas e o café. Abri o guarda-vestidos e o simulador de toilettes, deu-me monocordicamente o "Bom Dia"! Eu, após uma rápida consulta mental, para não parecer que estava à mercê dele, ora!, disse-lhe a primeira combinação que me veio à ideia: - Saia bordeaux + camisola preta. Da parede mesmo ao meu lado, saltou um holograma com a minha imagem em 3D, envergando as ditas peças. Claro que me assustei... mas fiz de conta! Afinal, aquilo não deixava de ser fantástico, apesar de muito enervante. Reparando melhor na figura descalça, acrescentei rapidamente: - Sapatos pretos. Foi-me apresentado um menu, com os meus vários pares de sapatos pretos. Escolhi, enquanto revirava os olhos. O holograma voltou, desta vez eu aparecia pronta e não era má escolha. Aprovei e apressei-me a retirar as coisas do armário, que aquilo intimidava-me um pedaço. Minutos depois estava sentada na cozinha a saborear o pequeno-almoço e a ouvir as notícias, enquanto escrevia num Robobloco o menu do almoço: pargo assado com um pimento verde; batatas cozidas; gelado de baunilha; café. Soou um apito desagradável e apareceu no bloco um aviso a piscar, onde li, bastante consternada: excedeu a dose diária de cafeína; sugestão - descafeinado. Fiquei zangada. Não bastava a solidão causada por todas aquelas coisas a aparecerem feitas sem que existisse vivalma, para além de mim?! Ainda tinha que vir o esperto do bloco electrónico dizer quantos cafés me era permitido beber, como se eu tivesse doze anos?! Isso não! Escrevi em maiúsculas - IGNORAR MENSAGEM. Ele respondeu imediatamente - ignorar pedido. Para meu horror, acrescentou... polidamente... sempre em minúsculas... - ao abrigo da Lei nº1 da Robótica. Pronto, estava instalada a guerra! Gritara com um Robodoméstico que estava a cumprir aquilo que, para ele era a Lei nº 1: Um Robot não pode causar dano a um ser humano nem deixar, por inacção, que um ser humano seja prejudicado. Conseguira, logo no primeiro dia, obrigar um Robot a invocar uma Lei! Para cumprir com êxito o meu mês de tratamento preventivo da robofobia, era fundamental que no decorrer desse tempo não fossem jamais invocadas as três leis, as únicas três leis dos Robots! © Fata Morgana As três leis da robótica (mais tarde aumentadas para quatro) são da autoria de Isaac Asimov, mas por serem aparentemente tão precisas e perfeitas foram adoptadas por outros autores e passaram a fazer parte de experiências e estudos científicos. Foi nesse contexto que as encontrei no livro Visões de Michio Kaku, que não é uma obra de ficção. Música dos Kraftwerk - "The Voice of Energy", do CD Radio-Activity Avalon, 03 Abril, 2005
João Paulo II, o Papa Peregrino, fez a sua viagem para Casa. Acontece-me imaginá-lo a erguer-se da cama onde esteve retido, com gestos descoordenados e difíceis, e a dar alguns passos na direcção da Luz, passos que se tornam cada vez mais firmes, enquanto o seu corpo cansado e curvado recupera a postura direita e a mobilidade fácil, o ar flui, límpido, até aos seus pulmões e a jovialidade regressa ao seu rosto bonito e alegre. De certeza que antes de passar o limiar se voltou uma derradeira vez para nós todos, que ficamos, e deve ter-nos dito, com um grande sorriso: até um dia, e não se entristeçam. A Casa de Deus tem muitas moradas, eu hei-de visitar-vos a todos, pois nunca deixarei de ser Peregrino. ![]() Foto daqui Depois seguiu o seu caminho, que só pode ser de infinita Paz e Suavidade. Eu fico contente por ele... mas vou ter muitas saudades. Nunca o esquecerei, foi um grande humanista, uma voz que falou alto em nome de todos os mansos, de todos os oprimidos, de todos os injustiçados - independentemente de quais fossem as suas crenças e mesmo que estas recaíssem no ateísmo. Não me lembro de um melhor exemplo de Respeito por todo o ser humano. Fata Morgana Música: Pie Jesu do Requiem de Andrew Lloyd Webber, por Sarah Brightman e Charlotte Church |
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