Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
Todos os direitos reservados © Fata Morgana, SPA
Avalon, 26 Dezembro, 2005

 

 
Reconhecer-te-ia na escuridão
pela voz
e no meio da multidão
pelo sorriso único
no silêncio
pelo teu perfume inteligente
Serás para todo o sempre
inconfundível
poço escuro que me deixa os olhos cheios de estrelas
no emaranhado em que desenrolas emoções.
Sabes,
acho que não há tempos que substituam
outros tempos.

Como quem consulta um livro de cabeceira
que julgava eterno
e descobre que afinal existe a última página,
e não sabe adormecer
para lá desse vácuo.

© Fata Morgana



Foto de autor desconhecido


 

 
Avalon, 22 Dezembro, 2005

 

 
Entre a palavra e o silêncio a ferida vai-se enchendo de partículas estranhas. Olho-as e penso vagamente que, quando as vir, hei-de senti-las também, como trepadeiras que me hão-de agarrar.
Agora os olhos seguem e perseguem coisas num distante que não sei se acontece, mas não me é indiferente. Saquear o futuro cansa! Mas estar é-me difícil, neste ser que se atira sempre para trás ou para a frente. Deixei um rasto indelével de rosas, que me apetece olhar. E à minha frente os mistérios também me atraem.
Um dia talvez ouça a palavra que flúi, distraída. Será rosa ou cardo. Ambos ferem, ambos curam. Pisá-los-ei descalça, nesse hoje que não adivinho quando.

© Fata Morgana



Pintura de J.W.Waterhouse


 

 
Avalon, 18 Dezembro, 2005

 

 
Primeiro fugi
com todas as minhas forças
mas perante a inutilidade
da tentativa patética
e desesperada
arrisquei o meu jogo de sedução
porque tinha medo de ti
precisava de te conquistar.

Vencendo todos os paradoxos
voltei a fugir
mas para a tua protecção
como se fosse um rio sem escolha
a correr para jusante.

Então recebeste-me com o teu jogo
masculino e sedutor
e recolheste-me
meu gentil gigante
apaziguaste todos os meus tormentos
e na tua mão
dormimos o meu primeiro sono feliz.

Foi esse o pior mal que te fiz
o amor
pois acabou comigo
e contigo
tal o desejo que tínhamos de estar juntos.

© Fata Morgana


Pintura: "Sleep" de Goya (detalhe)


 

 
Avalon, 15 Dezembro, 2005

 

 



TCA,



Sempre admirei sinceramente os teus desenhos, os teus riscos.
E sinto-me mesmo FELIZ por ter sido tua inspiração, pela segunda vez.

Obrigada a ti, meu Amigo desconhecido!

Espera... na realidade, tu só me és desconhecido se não riscares, pois julgo que serei capaz de te identificar pelos desenhos, mesmo se nos cruzarmos algures nos antípodas!

Um beijo e um cesto de romãs para ti.


Fata Morgana



 

 
Avalon, 10 Dezembro, 2005

 

 
No sossego dos dias
preguiçosos
que se alongam
para nos agradar
Não há
uma carta
um telefonema
uma visita
a quebrar encantos
por descobrir.

As horas aquietam-se
no relógio
É a magia da relatividade
o tempo refractado
na escuridão
a luzir.

© Fata Morgana



Imagem de Autor Desconhecido


 

 
Avalon, 06 Dezembro, 2005

 

 
Os sonhos são realmente meus
os meus
em que mal me reconheço
e depois se concretizam
no meu espanto.
Os que tenho acordada
são conduzidos pelo desejo
e se acontecem
eu não dou conta de nada
ou não os vejo.

É tudo uma questão de horas
desencontros.
O sono é que é constante.

© Fata Morgana



Pintura: Dreams, de J. A. Fitzgerald
 

 
Avalon, 02 Dezembro, 2005

 

 
Como as árvores,
abandonada ao vento,
invento pontos cardeais
e danço assim,
num palco gigantesco.
Tenho o mundo a dizer-me
- És minha!
E eu,
num solo interminável,
dou-me a ti,
que permaneces mudo.

© Fata Morgana



Pintura de J. W. Waterhouse

 

 
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