Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
Todos os direitos reservados © Fata Morgana, SPA
Avalon, 29 Abril, 2006

 

 
Reconheço-me nas linhas dos teus versos
na anatomia das palavras
na dança dos fios cruzados
por pensamentos
submersos
E distraidamente desenho gestos molhados
na minha pele
moída
pelo gume dos teus dedos
mas sozinha não consigo ser vulcão
Volto-me então
para a tua boca sequiosa
uma e outra vez
saboreada em ti
das formas soltas que jamais te dizem prosa

© Fata Morgana


Imagem de autor desconhecido


 

 
Avalon, 27 Abril, 2006

 

 
Acordei para ti
no fim da tempestade
A minha atenção desprendeu-se
do silêncio dos escombros
e seguiu-te em pensamentos tão leves
que a princípio
nem eu mesma os percebi

Vazio de mim
o meu corpo tornou-se também ele
um escombro imprevisível
de comportamento estranho
sem sentido algum

Até que os juntaste
num abraço inesperado
e os reconciliaste nas tuas mãos
e nos teus beijos que devorei
mesmo sem pensar
apenas sentindo no pensamento
o corpo recém-chegado

© Fata Morgana



Pintura de Jim Lasher


 

 
Avalon, 23 Abril, 2006

 

 
Percorrerei o caminho difícil
das flores frescas
e das veredas escaldantes
porque é o meu
com as suavidades e os sobressaltos
os risos e os medos
os ribeiros brandos e os rochedos altos

Receber-me-ás duplamente
ferida
duplamente exausta
quase incapaz de dar o último passo
o voo derradeiro
pois ser-me-á precisa força igual
à exaurida no caminho inteiro

© Fata Morgana


Pintura de autor desconhecido :(


 

 
Avalon, 20 Abril, 2006

 

 
Quando os teus dedos
me abrem nos olhos os sonhos
e os teus lábios selam os meus
no silêncio solitário dos voos
mansos,
turbulentos,
Toda eu sou tu em mim.

No instante que pára
o tempo passa sem nos perturbar
Não sei onde estás
não sei onde vou
Apenas vejo e sigo na luz distante
a cor tão linda que inventaste
minha.

© Fata Morgana


Foto de Bruce G. Marcot



 

 
Avalon, 16 Abril, 2006

 

 
Poema com à parte

Na página branca
as palavras dançam em fúria
desafiam-me
para que as ordene em frases
com sentidos que só eu sei,
e elas
assim perdidas
zangam-se do meu silêncio
querem ser dotadas
de acepção.

Eu sinto-as perfeitamente
e pinto-as
saboreio-as
como se fossem naves ou maçãs,
e elas
assim vestidas
exasperam-se de tudo em mim
que as não transformo
em narração.


À parte: (Não vêem elas
que são demasiado frágeis para tão profundo mar?)

© Fata Morgana



Imagem de autor desconhecido


 

 
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