Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
Todos os direitos reservados © Fata Morgana, SPA
Avalon, 30 Maio, 2006

 

 
Não sei para onde vou
Mas este não saber feito de insectos
não me faz precipitar os passos lentos
nem cala os meus afagos tão sentidos
Há um riso inocente
de doçuras
e a mente lúcida está pronta a delirar
pelos traços do encanto
nos teus dedos.

© Fata Morgana



Pintura de John William Godward


 

 
Avalon, 27 Maio, 2006

 

 
Julgava ter um dia naufragado
mas descobri em mim
esta mulher que canta
e rodopia
numa aflição tranquila
docemente conhecedora
de ser mar.

© Fata Morgana



J.W.Waterhouse [Estudo]


 

 
Avalon, 26 Maio, 2006

 

 

Artaud por Man Ray

Não tenho tido tempo para escrever. Não gosto que o silêncio pese...
Hoje, aqui, fala Artaud.



O Teatro da Crueldade
(desenho de Antonin Artaud)



(... eu deixo apenas uma rosa para Ti...!)




Fata Morgana
 

 
Avalon, 19 Maio, 2006

 

 
Vi o vulto cor de frio a rondar-me
com olhar afiado
e boca de sussurros pérfidos
Esguio e lesto
deslizava como uma corrente de ar
no fulcro do meu pensamento
Fazia brotar e florescer todas as sementes negras
como sustos que se prolongam até sempre.

Desataram-se os nós de lágrimas
que eu nem sabia que tinha
(cheia de silêncios).

Mas o meu Anjo disse-me que o vulto
era o meu próprio medo.
Corajosa, esperei que me ficasse a jeito
e abracei-o.
Desfigurou-se em espasmos nos meus braços
morreu-me aos pés assim desfeito em nada
á luz etérea da minha crença em ti.
Matei-o.

© Fata Morgana


Pintura de autor (por mim...) desconhecido :(
Disse-me a Ana que é William Bourguereau!
Obrigada ;)



 

 
Avalon, 13 Maio, 2006

 

 


O objecto mais harmónico que trouxe da minha infância é a sombrinha do meu carro de bebé. Por maior graça que tenha o casaquinho de malha cinzento clarinho; os chinelos-iguais-aos-dos-grandes, minúsculos, onde quase custa a crer que os meus pés já couberam - mas as marcas dos dedos estão lá; ou ainda o fato de banho vermelho, peça única de atar com laços, que aos dois anos eu andava top less; e a bola de borracha amarela marcada com umas ferradelas que lhe dei; nenhum deles fez carreira na minha vida senão a sombrinha.
É que os muitos casacos de malha que tenho tido vão ficando esquecidos em cadeiras de esplanada. Chinelos, não uso, acho-os feios e pouco femininos ou então femininos e pirosos. Na praia uso biquini ou nada, dependendo da praia... E mesmo que, esporadicamente, jogue à bola, é sempre pelas pessoas com quem o faço, nunca pela actividade em si.
Porque terão os meus pais guardado a sombrinha, aparentemente impessoal, quase como se adivinhassem a metáfora e as restantes peças fossem máscaras...?
Não sou sombria, não ando de sombrinha. Mas é à sombra fresca que me sento a ver as espadas de luz dourada, rompendo entre árvores ou guarda-sóis. Prefiro a noite e a lua, as horas descansadas de silêncio e quietude, em que não sinto necessidade de me proteger de coisa alguma. E muitas vezes faço do meu riso um véu luminoso que oculte as sombras dentro de mim, com que não pretendo acertar em ninguém.

© Fata Morgana


Imagem daqui


 

 
Avalon, 05 Maio, 2006

 

 

Quando me ouço a conversar com alguém parto-me em duas. Uma fica dentro de mim, a esboçar as palavras e a fazer os gestos que sente. A outra vai assistir e - importuna! - não tira os olhos da primeira, não se distrai com coisa alguma. Torna-se muito aborrecida e despropositada, até porque, mesmo em tudo sendo cúmplice, assume um ar discordante, tem sempre uma crítica desenhada na sobrancelha e um ar estupidamente misterioso, de "se eu não estivesse de costas quando isso aconteceu, teria feito antes assim...!" - mas no assim nunca há o como. Além de que nunca se apresentou senão de costas, inacessível, nos momentos cruciais de acção. Não devia, depois, voltar-se, quando apenas serve de urtiga...
Aqui está como a razão, o meu coração fustiga!

© Fata Morgana


Pintura de Fernando Barbosa



 

 
O Meu Castelo
 
Arquivos
 
 
Listed on BlogShares