| Fata Morgana...
|
|
...ou o Claro Obscuro |
|
Todos
os direitos reservados © Fata Morgana, SPA |
|||||||||||
|
Avalon, 23 Janeiro, 2009
![]() Lonely Bird (desconheço o autor) Olho para as minhas mãos, vazias, como se nunca as tivesse visto. Porque hei-de aborrecer-me... porque me hei-de importar... se estão vazias... Não fui eu que não tive paciência? Não fui eu que disse não quero? Não fui eu que disse si-la-ba-da-men-te - (coisa difícil nesta palavra!) - N - Ã - O...? Fui sim. É claro que as mãos tinham de estar vazias!! Então...?! © Fata Morgana Avalon, 06 Janeiro, 2009
![]() Aguarela de Lois Beumer Gosto de mistérios. Gosto. Fazem-me mergulhar fundo ou voar, causam-me a impressão de estar perdida de uma maneira boa, como se estivesse a sonhar e fosse interpretando o sonho sem ter de esperar pelo despertar e por me lembrar dos detalhes, tão pequenos, alguns. Tão mais enormes do que os grandes. São as subtilezas dos mistérios, como as dos sonhos, que escondem o que mais importa. É nelas que me detenho a procurar, que me apaixono, mesmo que fique tudo por deslindar. É nas mínimas fissuras que me mata a queda no abismo húmido e escuro. E morro antes de chegar ao fundo, onde me torno parte do mistério ali oculto. © Fata Morgana Avalon, 22 Dezembro, 2008
![]() Vim visitar os fantasmas do meu Castelo. Gosto muito deles. ;) (Estou a testar, a ver se já se consegue publicar aqui ou, por outras palavras, se o único fantasma mau - o FTP client - já se resolveu a colaborar. Provavelmente sim, com o susto que eu lhe preguei.) Fata Morgana PS. Oh, que bom, este post doido entrou! É sinal de que tudo retomou a sua normalidade e vou voltar aos meus domínios de Avalon - sem deixar os de Gore, evidentemente. Era mesmo uma experiência, não ia deixar nada disto aqui, mas mudei de ideias. Vai ficar. E o mesmo peço aos que aqui passarem: voltem. Fiquem. Como dantes. Avalon, 29 Junho, 2008
![]() Vejo a palidez do amanhecer sem ter dormido. Mais um. Baixo as pálpebras, tenho sono mas nenhuma vontade de dormir e esta luz tímida é a minha favorita. Daqui a pouco o sol vai subir e trazer o azul, no céu não restará nada deste tom rosado e líquido, que parece o sangue da noite a diluir-se como se tivesse sido apenas sonho. Os meus lábios permanecem quentes, e o coração enorme no meu peito. Nos olhos, tenho ainda restos de luar. Não, não foi sonho, a noite esteve. Ficou escrita no sempre gelo das minhas mãos brancas, e o gelo guarda. O gelo queima. © Fata Morgana Desconheço a autoria da imagem Avalon, 14 Junho, 2008
![]() Voltar. Num solo executado em passos lentos que acariciam o solo amado, arável para tudo quanto se lhe deseja dar, colher, tornar a dar. Ciclos, círculos de rodopiar em linha recta, sem nunca desfitar o ponto-destino, para não entontecer. A urgência de chegar e o prazer do caminho vagaroso, misturados nos olhos cheios de estrelas! © Fata Morgana
Avalon, 06 Junho, 2008
![]() Sabes, eu sou os pássaros que voam no teu céu, quando os olhas. Desenho-te promessas no azul que lês e canto para ti canções distantes, que não podes ouvir mas suspeitas imediatamente, sabendo que estás certo. O lugar escuro do silêncio que procuras tantas vezes é um esconderijo teu. Nele te refugias para afastar de ti tudo o que é feio e deixas-te ficar oculto até das coisas de que gostas e, tu sabes bem, esse é o lugar das certezas e também sou eu. © Fata Morgana Ilustração de Gustav Doré Avalon, 18 Abril, 2008
Não consigo publicar aqui as coisas que mando para a Romanesca via FTP. Felizmente é um problema que tem solução. Mas tenho de esperar e eu sou impaciente! Por isso, irrequieta e enervada, pus-me a fazer coisas neste outro lugar, onde já há tempos me vinha escondendo... Jamais deixarei este Castelo desabitado... e também gosto muito do outro! Por isso passarei a ter dois. Fata Morgana Avalon, 15 Março, 2008
![]() -Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? -Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato. -Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice. -Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato. (Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas) Encontrei este diálogo, agora mesmo. Pego muitas vezes na Alice, é um livro que nunca considero lido, um dos que, com maior ou menor assiduidade, ando a ler. Desde a primeira vez que lhe peguei. Hoje dei comigo a sentir-me esta Alice. E, claro, o gato cheschire tem imensa razão. (- ... desde que eu chegue a algum lado, acrescentou Alice a título de explicação. - Oh, certamente que hás-de chegar, disse o gato, desde que caminhes o suficiente.) :) Fata Morgana Avalon, 10 Novembro, 2007
Em vão procurava alhear-me. Queria vogar, no meu modo vagabundo de ficar distante de mim e de quem me rodeia, lunática, de olhos no longe. Mas a atenção indesejada prendia-se e prendia-me aos rostos de quem se cruzava comigo, fazendo-me tecer conjecturas, um pouco doidas, algumas. E de repente vi-os. Do outro lado da rua, eles evoluíam em câmara lenta, e reparei nos olhos que ele pousava nela e também que não a via realmente, via outra. Uma pessoa imaginária. Alguém que correspondia a uma imagem que vinha de dentro dele e ele lhe emprestava. Nenhuma cumplicidade real, ela estava fora e ele estava dentro. Cá fora apenas um não-ser, de modos vagamente apressados e desatentos. Esmorecidos. © Fata Morgana
Avalon, 01 Novembro, 2007
Nas copas das árvores os pássaros dentro de mim cantam. Ouço-os e reconheço as vozes que me falam em sonhos... e também dos sonhos. A folhagem enche-se das cores que o meu coração ama e as noites são cada vez mais longas, as mãos cada vez mais soltas abrem-se. Seguro as pedras, sinto-as, estou sempre a reconhecê-las, limpas, ou por vezes sujas de pensamentos, lavo-as com sal e luar. E vou fazendo o caminho do meio. Sem abrigo. Hoje encontro os meus passos de ir depressa e chego ao lugar onde tudo é selvagem e conhecido. Tudo quanto vejo é como se viesse de dentro, de um em mim onde não sei ir, quase nunca. Mas sei estes muros velhos quase desfeitos pelas raízes. As trepadeiras que os cobrem parecem sair das pontas dos meus dedos - mãos de ramos emaranhados e de aranhas. Os meus pés parecem cada vez mais dentro da terra. Descubro-me há muito enraizada neste sítio onde não tinha estado antes. O rochedo onde me sento é um pouso meu, e o descanso que me dá já o tinha em mim mas não sabia. © Fata Morgana
|
|||||||||||