Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
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Avalon, 21 Outubro, 2009

 

 

Imagem de Toni Frissell

Estou presa numa nave dentro de outra nave.

Palavras que apenas murmuro para comigo mesma, se me perguntam sobre mim. Aquilo que digo alto, deitai-o fora, pois muitas vezes nem sei o que será.


© Fata Morgana
 

 
Avalon, 07 Julho, 2009

 

 

Solitude, (Desconheço o autor)


Passado Simples


Foi um comentário pequenino
como a imagem flash de um poema
Mas eu pensava nele
e aquelas poucas palavras certeiras
davam-me uma alegria estranha
de poço fundo
e sem limites
Dizia-lhe sempre palavras nuas
com a minha voz
pois ele não queria ser uma imagem muda

Perdi-o num dia em que emudeci
no meio de muita gente.
Incapaz de tocar nas coisas
ou comunicar
queria saborear tanta doçura
andava solitária
noutro mundo
Calei algumas horas as palavras nuas
e sem a minha voz
ele tornou-se num mutismo sem imagem


© Fata Morgana
 

 
Avalon, 23 Janeiro, 2009

 

 

Lonely Bird (desconheço o autor)

Olho para as minhas mãos, vazias, como se nunca as tivesse visto.
Porque hei-de aborrecer-me... porque me hei-de importar... se estão vazias...

Não fui eu que não tive paciência? Não fui eu que disse não quero? Não fui eu que disse si-la-ba-da-men-te - (coisa difícil nesta palavra!) - N - Ã - O...?

Fui sim. É claro que as mãos tinham de estar vazias!!

Então...?!


© Fata Morgana
 

 
Avalon, 06 Janeiro, 2009

 

 

Aguarela de Lois Beumer

Gosto de mistérios. Gosto. Fazem-me mergulhar fundo ou voar, causam-me a impressão de estar perdida de uma maneira boa, como se estivesse a sonhar e fosse interpretando o sonho sem ter de esperar pelo despertar e por me lembrar dos detalhes, tão pequenos, alguns. Tão mais enormes do que os grandes.
São as subtilezas dos mistérios, como as dos sonhos, que escondem o que mais importa. É nelas que me detenho a procurar, que me apaixono, mesmo que fique tudo por deslindar.

É nas mínimas fissuras que me mata a queda no abismo húmido e escuro. E morro antes de chegar ao fundo, onde me torno parte do mistério ali oculto.

© Fata Morgana
 

 
Avalon, 22 Dezembro, 2008

 

 



Vim visitar os fantasmas do meu Castelo. Gosto muito deles.

;)

(Estou a testar, a ver se já se consegue publicar aqui ou, por outras palavras, se o único fantasma mau - o FTP client - já se resolveu a colaborar. Provavelmente sim, com o susto que eu lhe preguei.)

Fata Morgana


PS. Oh, que bom, este post doido entrou! É sinal de que tudo retomou a sua normalidade e vou voltar aos meus domínios de Avalon - sem deixar os de Gore, evidentemente. Era mesmo uma experiência, não ia deixar nada disto aqui, mas mudei de ideias. Vai ficar. E o mesmo peço aos que aqui passarem: voltem. Fiquem. Como dantes.
 

 
Avalon, 29 Junho, 2008

 

 



Vejo a palidez do amanhecer sem ter dormido. Mais um. Baixo as pálpebras, tenho sono mas nenhuma vontade de dormir e esta luz tímida é a minha favorita. Daqui a pouco o sol vai subir e trazer o azul, no céu não restará nada deste tom rosado e líquido, que parece o sangue da noite a diluir-se como se tivesse sido apenas sonho.


Os meus lábios permanecem quentes, e o coração enorme no meu peito. Nos olhos, tenho ainda restos de luar. Não, não foi sonho, a noite esteve. Ficou escrita no sempre gelo das minhas mãos brancas, e o gelo guarda. O gelo queima.



© Fata Morgana



Desconheço a autoria da imagem
 

 
Avalon, 14 Junho, 2008

 

 



Voltar. Num solo executado em passos lentos que acariciam o solo amado, arável para tudo quanto se lhe deseja dar, colher, tornar a dar. Ciclos, círculos de rodopiar em linha recta, sem nunca desfitar o ponto-destino, para não entontecer.
A urgência de chegar e o prazer do caminho vagaroso, misturados nos olhos cheios de estrelas!

© Fata Morgana


Não consigo ler o nome do autor da imagem.
Se o ampliar desfoca-se :(

 

 
Avalon, 06 Junho, 2008

 

 





Sabes, eu sou os pássaros que voam no teu céu, quando os olhas. Desenho-te promessas no azul que lês e canto para ti canções distantes, que não podes ouvir mas suspeitas imediatamente, sabendo que estás certo.

O lugar escuro do silêncio que procuras tantas vezes é um esconderijo teu. Nele te refugias para afastar de ti tudo o que é feio e deixas-te ficar oculto até das coisas de que gostas e, tu sabes bem, esse é o lugar das certezas e também sou eu.


© Fata Morgana


Ilustração de Gustav Doré
 

 
Avalon, 18 Abril, 2008

 

 
Não consigo publicar aqui as coisas que mando para a Romanesca via FTP. Felizmente é um problema que tem solução.
Mas tenho de esperar e eu sou impaciente! Por isso, irrequieta e enervada, pus-me a fazer coisas neste outro lugar, onde já há tempos me vinha escondendo...

Jamais deixarei este Castelo desabitado... e também gosto muito do outro! Por isso passarei a ter dois.

Fata Morgana
 

 
Avalon, 15 Março, 2008

 

 



-Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?

-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.

-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.

-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.


(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)





Encontrei este diálogo, agora mesmo. Pego muitas vezes na Alice, é um livro que nunca considero lido, um dos que, com maior ou menor assiduidade, ando a ler. Desde a primeira vez que lhe peguei.
Hoje dei comigo a sentir-me esta Alice. E, claro, o gato cheschire tem imensa razão.




(- ... desde que eu chegue a algum lado, acrescentou Alice a título de explicação.
- Oh, certamente que hás-de chegar, disse o gato, desde que caminhes o suficiente.)




:)

Fata Morgana

 

 
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