Fata Morgana...

 

 
...ou o Claro Obscuro
 
   
Todos os direitos reservados © Fata Morgana, SPA
Avalon, 12 Junho, 2004

 

 
Tu vives na rua das surpresas
onde eu acabo sempre
por passar
apreciando as súbitas belezas
onde nada aparenta realçar
Só os meus olhos
pássaros em voo
encontram os lugares onde pousar
descobrem as ocultas subtilezas
deixadas para mim
para eu olhar

Eu vivo na rua das surpresas
onde acabei um dia
por ficar
apreciando as doces subtilezas
trocadas entre nós
a cada olhar

© Fata Morgana


Antoine Blanchard - Quai du Louvre

Etiquetas:

 

 
Avalon, 06 Junho, 2004

 

 
Cantos Passados

Tudo o que relembro
revivo
reavivo com a força
do sol quente a irromper
rasgando as sombras.
Fica uma humidade mansa
boa
que transforma o mofo
em musgo.
Os ecos agonizantes
dos corredores sombrios
como braços frios
transformam-se em canções
e os braços já transpiram
e desenham emoções
como que as dançam.

São apenas recordações
mas não estão mortas
refloriram
em vez de empalidecerem
sob muitas camadas de escuridão.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 04 Junho, 2004

 

 


O Rosto da Alma

Nas pontas dos meus dedos
sinto o gume
Com pequenos toques
pelas linhas cortantes desse rosto inquieto
Em pequenos golpes
sinto as marcas do passeio predilecto

O mais longo instante é
nos cantos dos lábios
e flutua
em gesto contrário
ao trejeito descaído que detecto

Se abrisse os olhos,
se te visse,
talvez pudesse
dizer-te: és belo
talvez soubesse,
olhando,
percebe-lo.

Assim,
não sei
mas sinto
e se porventura o disser não minto.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 28 Maio, 2004

 

 


Os risos e as rosas
não se desvanecem
nos vasos
sanguíneos.
Ecoam
florescem
os sons curvilíneos
os doces odores
nos meus olhos rasos
da água que guardo
para as minhas flores

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 21 Maio, 2004

 

 


Chuva
vem esbater os traços
com que eu fui feita
Varre os meus antigos passos
de abertura estreita
Lava-me
do sal chorado
a tua água é doce,
o meu rosto é salgado
Provo-te
dentro de mim
sorrio
não tens gosto,
não tenho frio
Abrigo-me enfim
agora cheia de águas de céu
envolta na beleza
do teu véu

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 18 Maio, 2004

 

 


Não sei dizer o que ausência significa.
Sei que pode ser morte
que pode ser esperança
viagem constante onde apenas se alcança
o lugar vazio da pessoa
ou a pessoa
mas isenta do seu ser.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 17 Maio, 2004

 

 
Meu Cavaleiro Andante

Que seja
como tu sonhaste...
Uma jornada longa em que descobriste
o teu caminho
meu
e o floriste.
Uma promessa
de que estarei no fim
Agora.

Uns olhos tristes
(como os meus
quando fechados)
nunca mentem
Por isso o teu caminho
é sem cuidados.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 05 Maio, 2004

 

 


Poema Frio

Onde for o mar de gelo
que tu habitas
eu mostro-te:
não estás só.
Como tu, outros seres
escolhem o frio
e as noites que duram meses
de solidão.

Fica no teu pólo distante,
não tenhas a ideia perturbante
de te aventurares
em mares de corais
com litorais amenos
onde ao degelo
inesperado
chamamos calamidade.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 04 Maio, 2004

 

 


Penélope

Teço este manto
com fios de certezas que não tenho.
Tarda em ser pronta
esta tarefa desmedida!
Nela tudo aquilo quanto sinto,
cicatriza e torna a abrir
como uma ferida.

Faço por ser apenas mãos
e dedos
por esquecer os medos vãos
e meço
nas linhas com que teço
o nosso amor
neste manto que é um bastidor
onde eu te quero tanto como sempre quis...
Porém, mais de mil vezes o desfiz.

© Fata Morgana


Penélope sempre me fascinou pela certeza e determinação com que esperou por Ulisses. Pressionada a escolher um consorte que sucedesse o seu marido - a seu lado e no trono -, inventou um ardil quase hipnótico. Comprometeu-se a escolher um dos pretendentes, assim que acabasse de tecer um manto (tapete, em algumas versões). E logo principiou o trabalho, serenamente.
Adivinha-se - porque o fazia a ocultas, correndo risco de ser descoberta -, que não estaria tão serena quando todas as noites desfazia uma porção do manto/tapete... que ela transformou assim numa obra interminável. Pois quanto à luz do dia era tecido, à noite voltava a ser novelo.
Ulisses partira contrariado. As recordações que Penélope tinha da vida com ele partilhada eram certamente felizes, muito boas. Mas passaram-se anos, sem notícias! Ela era uma jovem e tornou-se numa mulher madura, sempre só. A memória do rosto dele esvaiu-se com o tempo - ela mais tarde não reconheceria Ulisses! ? mas não o sentimento. Ele, por sua vez, voltou por ela e para ela. Tornaram a viver felizes, como eram antes. Foi uma dupla ?aposta radical no outro? ? como é costume dizer-se.
Não quero esmiuçar o assunto, o que me agrada é precisamente lançar a questão. Eu tenho a minha ideia, que apenas exprimi, em parte, no poema que escrevi e também na escolha desta citação:

?Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.?
Friedrich Nietzsche

Na realidade, foi por causa da citação que me lembrei - uma vez mais! - da Penélope e do Ulisses.

© Fata Morgana

Etiquetas: , , ,

 

 
Avalon, 03 Maio, 2004

 

 



Ontem à noite adoeci. Não é grave, mas tenho que estar deitada, neste dia agreste e ventoso de Primavera. Está a saber-me bem, o que é muito raro. Geralmente, adoecer enche-me de tédio, e hoje não, hoje lembrei-me deste poema do Sá-Carneiro, que queria meter-se na cama, aconchegar-se como se num abrigo protector da vida, que o horrorizava. Achei que talvez fosse uma boa ideia lê-lo - que coisa romanesca! Esgueirei-me da cama em busca do livro e não pude deixar de me rir, pois não sinto isto, evidentemente. Sinto é uma admiração reverente pelo poeta - Sá-Carneiro era grande! É grande, que os poetas não morrem.
Esgueirei-me um bocadinho mais... até aqui. Onde o deixo.
Se cá não estou, ouvem-se sempre as vozes dos que eu amo.


Caranguejola

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
P'ra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito p'ra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!...

Noite sempre p'lo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor!...
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
P'lo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...

Se me doem os pés e não sei andar direito,
P'ra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
P'ra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C'o a breca! levem-me p'rá enfermaria -
Isto é: p'ra um quarto particular que o meu pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital - higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo...

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Mário de Sá Carneiro



Até amanhã... Volto para a cama a aninhar-me, bem quentinha.

Fata Morgana

Etiquetas: , ,

 

 
Avalon, 28 Abril, 2004

 

 

Bob Ichter


A Vós

Todos os dias
há um tesouro que se desperdiça
porque não se olham.
Todas as promessas
que ficam nos sorrisos
por cumprir,
Tudo o que não sabem
nem podem sentir
porque têm medo
e o medo gela,
entorpece.
O coração dele adormece
O dela torna-se azedo.

E assim, quando se juntam
envenenam o amor que resiste em segredo.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 20 Abril, 2004

 

 
Poema com Post-Scriptum

Ama-se por todas as razões
mas nenhuma é tão forte
como aquela
que não é razão nenhuma.
O coração dói, liberto
e salta doido no peito,
paramos de respirar.
O pensamento não pensa,
sente.
O sentimento não sente,
é.

Fata Morgana

PS. (Respiramos?
mas mais depressa e superficialmente;
se não fosse o todo
ser contente
em posse
de algo maior
cansar-nos-ia quase logo
e voltaríamos a suspirar profundamente).

© Fata Morgana


Etiquetas:

 

 
Avalon, 17 Abril, 2004

 

 


O Leste de um Beijo

Na palma da minha mão
pousaste, com força,
um beijo.
Não me acordaste o desejo
não perguntei o motivo.

Se era um adeus, um carinho
um mero gesto furtivo,
porque o fizeste eu não sei.
Atirei-o ao vento Leste
e o beijo que tu me deste
voou para longe sozinho.

Depois, nos gestos da vida
em que às vezes ajudei
estendi a mão, dei guarida
Na palma da mão beijada
é que parecia guardada
a força com que toquei.

Não sei o que é, não sei.
E pergunto ao beijo ausente,
à mão vazia, sem nada.
Escuto ao longe a voz do vento
dizendo-me num lamento:
- Ainda não sentes? Sente!

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 07 Abril, 2004

 

 



Quando as sombras
no Verão
chegam ao meu coração
e o refrescam
gentis
Eu recolhida
descanso
no raro momento manso
sentindo as brisas subtis

É como o sol
do Inverno
que oferece um momento terno
de calor
e aconchego

São estes laivos contidos
na estação do ano oposta
o Tai-chi da Natureza.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 31 Março, 2004

 

 


Lamento d?Ariana

Eu disse tudo
gastei o desalento
Chorei todo o passado
meu
e teu.
Agora já não sei
pergunta ao vento
São dele as cinzas
de tudo o que ardeu.

Se te lembras do amor
que foi o nosso
Pouco durou
bem sei
dura é a vida
Conforma-te,
por ti
já nada posso
Não tenho temperamento de esquecida

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 25 Março, 2004

 

 


Eu tenho horas boas
do tempo
escondidas
pelo tempo
esquecidas
pertencem-me
a mim

Num gesto risonho
eu guardo
e esconjuro
o desejo puro
a quedar-se assim.


Não que o tempo tenha fim
ou o desejo,
jamais.
Mas eu gosto quando os vejo
em luta com frenesim
pois são eternos rivais.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 23 Março, 2004

 

 


Adeus

Toco no teu rosto
ao de leve
com as pontas dos meus dedos
cumes de neve
que mal sinto

A frieza dessensibiliza
E no cais
o barco precisa
do seu passageiro: eu

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 04 Março, 2004

 

 


Como uma espécie de sibila airosa
sábia de cerimónias
não me mexo
Na língua
uma palavra vagarosa
ecoa
como um doce sacramento

Reside no olhar o movimento
de profundeza aquática
e lonjura
Mergulhas nele
como quem se cura
de todos os cansaços,
do tormento

Num gesto calmo sempre sorridente
invento um salmo
e canto para ti

Como uma espécie de sibila airosa
sem cerimónias
digo docemente

- Agora vai. Não fiques por aqui

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 02 Março, 2004

 

 
A concórdia muda
ilude saudades
Longe de ti
tal como temias
descubro as verdades
e desfaço
o laço
Como é que sabias?

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
A sorte é apenas uma abstracção
mas é nela que me inspiro
e nunca na razão
quando em todos os meus gestos
te prometo às cegas:
amanhã.
Nem sei se viste

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 27 Fevereiro, 2004

 

 
Hoje

Hoje vou ignorar
tudo o que me aborrece
No sonho acordada
que assim me acontece
olharei a lua
e sentirei
que jamais alguém lá esteve

Espantar-me-ei
a desvendar mistérios
conhecidos
bem devagar
porque os mistérios me são queridos

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 25 Fevereiro, 2004

 

 
Senda

Sempre sozinha
entre toda a gente
venho de longe
e longe hei-de ir
quieta
Tenho a visão
de paisagens
repleta
Pareço assim
viver
placidamente

No peito escondo um lume
que faz sede
É essa a força que me instiga e mede

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 20 Fevereiro, 2004

 

 
É a paixão
em toda a sua força

Todos os medos
parecem
devaneios poéticos
e perecem
estrangulados pelos meus dedos

Uma inquietação
constante
persiste no meu coração
radiante
consumido sem lhe querer fugir

É a paixão
Em todo o seu ardor
Prelúdio
e interlúdio do amor

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 18 Fevereiro, 2004

 

 
É neste lugar
junto a esta fonte
que as formas do meu corpo
dão raízes
E embrenham-se, espreguiçam-se
felizes
nas profundezas térreas deste monte

E obstinada em me firmar aqui
Esquecida por momentos
da lonjura
Com que espanto olhei o alto e vi
A árvore frágil
mas grande em altura
Num gesto ágil
eu
chegando a ti

© Fata Morgana


Acer Rubrum - Árvore de cuja madeira têm sido feitos os mais belos violinos

Etiquetas:

 

 
Avalon, 17 Fevereiro, 2004

 

 
Misteriosa estrada
serpenteante
palidamente iluminada
perturbante

Rasguei-a eu
sob os meus passos leves
de alegre e resoluta viajante.
Na avidez do longe
a cada instante
deixei os medos breves
que sentia.

Misteriosa estrada
onde eu vivia.

© Fata Morgana



Le Vals Sans Retour

Etiquetas:

 

 
Avalon, 11 Fevereiro, 2004

 

 
Considerações de Limiar

Nunca aprendi nada,
só fiquei a suspeitar de algumas coisas.
Não quero certezas, nenhumas certezas;
apenas a liberdade para acreditar.
Não idealizo, sonho.
Não nego, ironizo.

Falta-me uma coisa qualquer.
Deve ser a coisa que explica o que eu não quero saber.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 


Eu faço calendários
com pedrinhas
Seixos a representarem Setembros
Equinócios vários
Assinalo dias extraordinários
E quase todos são invenções minhas.

Eu faço dicionários
com folhas e flores
Pétalas representam mentiras
com sentidos vários
Espinhos de rosa nos motivos extraordinários
E em quase todos uso lindas cores.

Eu leio histórias
que escrevo com estrelas
Vejo-as no céu
e invento-as sempre belas
como as memórias
do que nunca aconteceu.

© Fata Morgana


Etiquetas:

 

 
Avalon, 06 Fevereiro, 2004

 

 
O meu olhar no teu
enche-se de constelações
És o meu hóspede
inesperadamente o meu

Não te possuo
ainda
e quem sabe nunca

Apenas te olho
e sem saber sorrio
E o riso, sem porquê,
veio do frio
lugar que não se vê

Tudo isto me lembra jejuns, macerações
Mas nada tem de sacro
a não ser, talvez, o almiscarado simulacro
de todas as humanas seduções

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 04 Fevereiro, 2004

 

 
O Riso e as Lágrimas

Vagaroso manto
feito de sopro
de encanto
pende dos meus ombros.
Trago-o pelas lajes do tempo
lentamente
atrás de mim o arrasto
mudamente
e nunca sem deixar rasto.

Os mutismos
acontecem sem razão.
Escondido no meu peito um coração
bate
mas não é meu
dá-te
a substância do breu.

E eu, a voz de única e enorme lágrima
diluída em canto,
rasgo a escuridão
que é nada
e escorre do meu olho
a sonora gargalhada.

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 02 Fevereiro, 2004

 

 
Poema Sinfónico

Gosto de sentir a musicalidade de um poema, relacioná-la com as palavras. Quando, por exemplo, a mensagem é dura e as palavras formam frases difíceis, que soam abruptas, o conteúdo é reforçado pelos recursos estilísticos; mas se a mesma dureza surge expressa em palavras fluidas e frases serpenteantes, que escorrem com facilidade pela nossa língua, a oposição conteúdo-forma pode ser igualmente interessantíssima.
Hoje fiz uma escolha especial. Se, após uma leitura, a dissermos em voz alta, o resultado é...


Poema concretista

Filomena Adriana Isabel Assunção
Patrícia Andreia Rita Aurora Joana
Antónia Augusta Rosa Encarnação
Sara Sandra Celeste Miriam Ana

Judite Márcia Emília Dores Maria
Elvira Elisabete Júlia João
Josefa Arminda Lúcia Aida Sofia
Cristina Estrela Diana Conceição

Mariana Marta Acácia Lurdes Laura
Margarida Inês Silvina Sílvia Neuza
Paloma Elisa Elsa Alda Isaura

Beatriz Ângela Helena Luz Tereza
Manuela Ilda Rosário Rute Maura...
Qual de todas deixou a luz acesa?

Bernardo Pinto de Almeida
in ?Hotel Spleen?


Quero aqui guardar, no meu canto predilecto, este poema curioso. O autor, Bernardo Pinto de Almeida, crítico e historiador da arte, escritor e poeta, exprime de um modo assaz invulgar aquilo que os seus olhos vêem e também o que pensa e sente. Gosto de como ele tornou uma sucessão de nomes de mulheres, em algo tão sugestivo! Alguns versos são doces, soam doces, arredondados, como formas femininas. Outros são mais bicudos, com vértices, a sugerir elementos de tensão. O todo diz tanto, que me surpreendo, pois são apenas nomes!
Fico, assim, com a impressão de que nem todos precisarão de escrever uma Ode intitulada ?As Mulheres da Minha Vida?. Poderia ser suficiente enumerá-las, conjugando os sons dos nomes das que fizeram a diferança, com o travo que tenham deixado na vida do poeta. Este, só aparece no final com uma pergunta factual. E essa pergunta faz-me divagar, por muito "concretista" que seja para quem assim a faz. Gosto muito deste poema, que retirei do MEU exemplar do livro "Hotel Spleen", esperando que o autor não me leve a mal roubar-lho emprestado.

© Fata Morgana

Etiquetas: , , ,

 

 
Avalon, 23 Janeiro, 2004

 

 
A Quem Não Amei
(Recordação)

Passos mais leves
que leves suspeitas
ecoam nos meus braços
corredores esguios
Ouço-os temente
causam-me arrepios
no corpo liso
de paredes estreitas

Estranho convento sou
quando me deitas
e os meus olhos endurecem
frios
eternas criptas
esquifes vazios
sem vestígio de mágoas liquefeitas

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
A Noite e o Dia

Embrenho-me noite dentro
pelas sombras tenebrosas
Bramindo com fúria
o vento
dá-me asas tão poderosas
uiva no meu pensamento
sopra-me versos e prosas

Ao primeiro alvor do dia
deito-me entre as açucenas
e os sonhos chegam
enfim
O sol que me acaricia
afasta todas as penas
que encontra presas em mim

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 20 Janeiro, 2004

 

 
Flanco hidratado
biombo floral
Entre nós os dois
o separador
foi fenomenal

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 19 Janeiro, 2004

 

 
Dedico este poema e a respectiva tradução à Rute. Eu resolvi - a minhas expensas, verdade seja dita - traduzir uma letra dos Beatles. A primeira resposta que recebi foi a da Rute... e fiquei com vontade de não ter postado o meu problemazito (ter uma canção ''metida'' na cabeça!).
Tens razão, Rute. Para traduzir, mesmo que não seja um verdadeiro poema, há que ser... talvez o Pessoa. Com toda a justiça e respeito, para ti, aqui fica...

ANNABEL LEE
(by Edgar Allan Poe)

It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know, In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so,all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling, my darling, my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.


ANNABEL LEE
(de Edgar Allan Poe)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.


Tradução: Fernando Pessoa

Etiquetas: , , , ,

 

 
Avalon, 09 Janeiro, 2004

 

 
''Morte, a única das minhas aventuras que não comentarei...''
François Mauriac

Adoro o Mauriac, que me tem proporcionado muitas horas de excelente leitura. Escolhi esta citação entre muitas, por ser dele e tão verdadeira, e porque quero aqui deixar um poema que escrevi para alguém que decidiu escolher a hora de viver essa tal aventura que fica sem os comentários do protagonista. O poema cumpriu a sua dedicatória... mas muito mais para os que cá ficaram e lhe eram chegados - que eu saiba, evidentemente!... Por isso, hoje estendo-a a todos aqueles que são parentes e amigos dos que tomam a decisão de se ir embora.

Ao T. R.

Alma decantada
embebida em terços
A repousar no claustro brando
dos silêncios
Desata os pulsos
dessas ligaduras frouxas
E oferece o ar
às tuas feridas roxas

Deixa-as voar
e vê como são belas
Olha-as sereno
já esquecido delas

Fata Morgana


Não querendo fazer julgamento algum, quero é deixar também um grito de vida. Isto, para ser fiel a mim mesma. E, para isso, escolhi Voltaire, numa metáfora que me parece perfeita pois dá-nos um imenso sentido de ocupação terna e útil e feliz.

''A vida é uma criança que é preciso embalar até que adormeça''
Voltaire

(ou será - até que adormeças?... - emendar Voltaire é UMA OUSADIA!, e a frase fica subvertida, mas a vida não continua?!)

Fata Morgana

Etiquetas: , , ,

 

 

 

 
A Face Oculta

Não sei porque razão
me deixo ficar
a fitar a noite
a filar a lua
com as duas faces
todas as fases
sem excepção.

À luz lacrimogénea
dessa bola nua
que flutua
abro a janela romba
arrombo-a.
A lua é como eu
fora-da-lei

© Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 03 Janeiro, 2004

 

 
Usando a máscara do riso
fui espreitar as rosas
Olhei-as longamente
e assim viçosas
lembram as fragrâncias do amor
os tons do fogo
o gelo ardente

Fui acendendo as sombras
adormecendo o que doía
com gestos que eram lassos
outros laços neste dia

O frio interno
há pouco em mim mordente
oculto no meu seio
agora é quente

Já junto às rosas
cantam cotovias
Morta nos bastidores
esqueci no espelho
a personagem que não trago mais à cena

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 02 Janeiro, 2004

 

 
Navegar d?Ideias

Por tudo quanto se reza
as miragens explodem.

Todas as formigas
me lembram ossos;

E todos os ossos
me lembram catedrais.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
Vou deixar o coração
à porta.

Cada vez que digo a verdade
tu escutas uma língua morta.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
Ao Espelho

Quem és tu
que comigo te pareces...
de olhos tão aguados
lábios sorrindo
a ocultar as preces;
o corpo nu
vencendo os trajos bem cuidados?

Mãos que esvoaçam
quando sei que são pesadas,
que em lugar de arabescos
traçariam fundos sulcos

Peito tranquilo, de respirações pausadas,
onde não explodem
os vulcões
ocultos.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 29 Dezembro, 2003

 

 
Inclino-me numa postura
flectida
Os cabelos,
ainda agora presos,
soltam-se de um modo natural
cobrem-me a curva
da coluna vertebral
Depois escorregadios
tombam
varrem a areia de onde extraio um seixo.
Vejo-o
estendo o braço e deixo
os dedos segurarem também nos cabelos soltos
e puxa-los
como dói!
assim revoltos.

Ao voltar à posição direita
sigo caminho,
aquele mais bonito,
mal o pisando
a vereda estreita.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 17 Dezembro, 2003

 

 
Como Velas

Dei com colmeias de doçuras novas
toquei-lhes com o cansaço imerecido
dos meus dedos
Apaguei todas as ideias fixas
como se fossem velas
quase gastas
Dei com o riso inocente
e ri também
com gestuais prazeres
como se fossem velas
a hastear
Vejo-me leve
a mente
antes exausta
agora pronta a acreditar

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 15 Dezembro, 2003

 

 
Um Sonho

Areia nos cabelos
vegetação no olhar sedento
Ilegíveis páginas de sono
todas soltas

O fogo é uma luz da imaginação
Lanço-me em frontal queda
de bruços
E o lago recebe-me
fresco

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
RealMente

Se uso a lente da atenção
torno-me lógica
esqueço a emoção.

É como num jogo de mesa
chega a parecer irreal
assim estirada
a verdade num tabuleiro.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
Senda

Sigo o rasto complicado
dos meus próprios passos
Dou-me voltas de avanço
mentais
sem parar.
Tenho de continuar

Errando entre o longe
e o perto
Não quero é ficar num deserto
sabendo que existe o mar
Tenho de continuar

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 10 Dezembro, 2003

 

 
Les Mots Dits

Dou-te no olhar
tudo o que sinto
E tu não sabes ler o meu olhar
Tu crês é no que digo
e eu só minto
Não ponho a minha alma no falar

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 02 Dezembro, 2003

 

 
Os Dias Brancos

Não gosto de dias brandos
Quando chegam ao fim
não durmo
No irremediável estado de sem sono
invento acordada
uma insónia
imaginada
Reviro-me remexo-me
revolvo os lençóis como se fossem nuvens
Sentindo-me repleta de visões
Findo este estado de saturação
acordo.
Concordo
Não dormi.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
As Flores Mortas

Assim sou eu, se te não quero
Flor que ao colheres se mata antes que tu lhe toques
Fizeste-a tua
sem jamais a teres.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 20 Novembro, 2003

 

 
Prelúdio sem Fuga

Sei que uma qualquer causa muda
encanta os silêncios.
Talvez o gesto de cantar
atraia os espectros
Porque o canto acalma, como o pão.
Vou soprando adágios
lentos
Com gestos de rosácea
e risos, não lamentos.

Não mudo de lugar.
Sou uma árvore serena
na ventania agreste.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 19 Novembro, 2003

 

 
Clarissa

Cavo mosteiro profundo onde me exprimo
em híbrida cantilena lábil.
Qual noiva enviuvando
desfio preces
cruzando o sacro com o profano.
Professei
na maturada busca de clausura e de silêncios.
Densas paredes envolvem-me os suspiros
perco-me em sonhos, labirintos.
Com lisa indiferença
as mãos lívidas desenham arabescos
ora me persignando
ora traçando loucuras com riscos finíssimos de dedos afilados
ora espetando o indicador na febre doida de apontar
aquilo que persigo mas como quem foge.
Ínfima me hás-de encontrar
nas breves inscrições hieroglíficas de mausoléu antigo.
Já sem esta prece nos dentes
ainda sem uma solução.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 16 Novembro, 2003

 

 
Um poema de que nunca me farto de um poeta de quem nunca me esqueço... Hoje passei um bom bocado no "Instituto Camões" a lê-lo.

Autopsicobiografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira,a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Fernando Pessoa

Etiquetas: ,

 

 
Avalon, 04 Novembro, 2003

 

 
Estive a hesitar. Tenho adiado a própria vontade de trazer aqui o meu auto-retrato poético. Claro que poético! Mas mesmo assim, acabo sempre por escolher outro poema, escrever um novo... ou ainda por me atirar a toda a brida pelo surrealismo dentro, e passo verdadeiros momentos numa outra dimensão a ler a maravilhosa literatura deles, mais a dos percursores e a dos proscritos pelo grupo, para escolher alguns desses textos e poemas que me fascinaram sempre e traze-los para aqui.
Pois hoje fica cá o auto-retrato. Meu. Poético, claro. E fica já, antes que volte a hesitar, pois gosto dele, quero-o aqui. E sempre me senti, é verdade, um novelo.




Mulher-novelo enrolada
joelho suave de vertente húmida.
Compasso atrasado.
O cheiro repentino no tapete de cabelos
desenrolado estendido
Quietude de sono.
Imagens informes, sonoras
Movimentos de descontraída
preguiça criativa.
Criatura de ovos doces
redonda
Com um único vértice no olho.
O outro olho tem a mobilidade vagarosa
de um biombo.
O sorriso é um mastro
e o motivo a meia haste.
Desalinhados padrões
de sugestão dispersa.

Fata Morgana

Etiquetas: ,

 

 
Avalon, 31 Outubro, 2003

 

 
Elektra

Costumo enlanguescer-me no éter
derramado p'los silêncios
Rebolar sobre várias sensações vagas
suprimidas ao vento
Sudoeste. Ponto cardeal
Complicado de significações
Anoitece. Solto um suspiro
cavo de vulcões

E adormecida deixo-me ficar
enroscada no morno sovaco paternal
Posição habitual
dos embriões.

O escuro é povoado de amigos
que se debruçam
sobre mim
Mas nunca lá estou.
Longe.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
Nocturno Op.1

A viuvez dos Anjos
atropela ideias

Acende estrelas cadentes

Desbrava os corredores no escuro

E os Relógios de Sol avariaram
assim que vieram as trevas

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
Nocturno, Op.2

A cada passo
mil sussurros soam

A cada passo os sinto
e sem saber
Os sussurros levam-me
longe a ver
Olhos. Dois carvões
a coruscar no escuro

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
Remember me...
(Dedicado a Klaus Nomi)

Ontem pensei em ti,
pintei o rosto.
E como tu acentuei com ironia os traços.
Pus fantasia na tristeza e no desgosto,
fluindo em tinta mil desejos esparsos...

Fata Morgana

Etiquetas: , ,

 

 
Avalon, 28 Outubro, 2003

 

 
Liqües

A humidade é uma constante.
Tudo é aquoso, tudo água,
corrente solta, fluidez.
A superfície tocada é sempre outra
e afeiçoamo-nos a ela
Como a uma só, a mesma.

Temos a histeria da identidade.
Mas somos, principalmente,
Água corrente.
Liquidez tamanha, que nos perturba
de tão inconsistente.
A mágoa é água;
choro absurdamente.


Fata Morgana

Etiquetas:

 

 

 

 
Poetisa Infância

Poetisa infância
Impulsos expulsos
Ignorância dos caixilhos
douta das liberdades absolutas

Espontâneas emoções devolutas
Riso, choro e gritos
Ilações de inata ciência
Passageira

Memória de enigmas
Surpreendente absurdismo
que fascina e espanta
quem já cresceu.

Via gradual para outra gradação
mais nave
obrigatoriamente adulta
Adulterada
Prisão Perpétua
Regresso e morte.


Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 27 Outubro, 2003

 

 
Alma-Gémea é um Mot-Mot...
(Dedicado a Antonin Artaud)


Eu queria tanto ser louca
tão louca,
que não me apercebesse quanto o sou.
Queria não saber para onde vou;
Ser pedra
em vez de pluma
Neste abismo.


E todas estas coisas
em que cismo
Durante a insónia,
instante em que adormeço,
são a minha maior honra do que sou
e não mereço.
Uma alma gémea de Antonin Artaud.


Fata Morgana

Etiquetas: , ,

 

 
Avalon, 24 Outubro, 2003

 

 
Missa

Toada de lamentos...
Estranhíssima reza que enfeitiça.

Se me mexo saio da letargia
e eu não quero.

Gosto deste choro falado
à minha volta
que me faz sofrer assim
por nada

E me leva para um longe que é aqui.

Fata Morgana

Etiquetas:

 

 
Avalon, 20 Outubro, 2003

 

 
Navio do Ser
(dedicado a Antonin Artaud)


A todas as madrugadas
eu pedi a bruma.
Do mar, apenas quis a espuma,
porque o fundo negro era também já meu.
Depois ante os teus olhos feitos de água
cosi uma na outra
e fiz um véu.

Assim já ninguém vê a minha mágoa
que a tenho bem escondida,
assim tapada,
atrás deste adereço que era teu.


Fata Morgana

Etiquetas: , ,

 

 
Os Meus Castelos
 
Arquivos
 
 
Listed on BlogShares